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A dança da esperança

Tempo nublado.Dia triste.Eu tinha todos os motivos para continuar em casa, assistindo o velho programa de TV ou ouvindo aquelas belas canções que embalaram a minha juventude.Mas não, eu resolvi mudar, eu queria sentir o ar fresco, a tristeza do vento, seu frio toque, queria ver a vida de uma outra forma.Já como sou uma pessoa só, saindo, por mais que o tempo não fosse favorável, talvez eu conheceria alguém interessante para conversar.
Fui ao meu quarto, peguei o agasalho, e saí.Fui andando por várias ruas durante algum tempo.Observei as árvores, as casas, às poucas pessoas, que como eu, andavam como se estivessem à procura de algo ou até de si mesmo, observava o céu q estava pesado, os velhinhos, os adolescentes, os cachorrinhos...
Resolvi tomar algo quente; pra esquentar o meu corpo, e queimar a monotonia, algo que me lavasse, que tirasse todo aquele rancor, e me deixasse leve, limpa, que me renovasse.Caminhei até um barzinho na esquina.Pedi um café puro.Tomei.Não foi suficiente para me deixar bem.Eu não precisava só sentir.Eu precisava ter alguém, que me acompanhasse, me amasse, me falasse coisas sem sentido.
Belos homens passavam, me olhavam, alimentavam-se da tristeza dos meus olhos e se asseguravam de que não tinha sido interessante a ponto de lançarem olhares e me ganharem, pra depois sentir prazer com coisas impuras.
Eu não queria isso.Queria algo puro.
Saí do bar.Tinha um tocador na calçada em frente.Sua música me chamou a atenção.Comecei a observar-lhe.Quando me dei conta não era ele quem eu observava.E sim uma criança.Ela era a pureza que eu procurava.Ela era embalada pela musica, andava em círculo com os braços abertos, como se quisesse sentir o vento, aspirar a pouca pureza do mundo, ela agia como se não existisse mais nada, como se o universo lhe pertencesse, como se procurasse pessoas para dividir aquele momento.
Não encontrei alguém interessante pra conversar, mas encontrei uma beleza infantil para admirar, que fez com que meus olhos covardemente a quisessem possuir.Possuir aquela criança para ter liberdade de lhe mostrar o mundo, de lhe ver crescer e ficar alegre com ela a todo instante.Mas no fundo eu só queria lhe ensinar a me chamar de mãe.
Eu tinha o olhar compenetrado em todos os seus movimentos, eu queria tomar-lhe em meus braços e me fazer inesquecível pra ela.
Mas a criança não me notou, nem sequer soube da minha existência.Continuava a girar com os olhos fechados como se procurasse algo que EU há poucos minutos havia encontrado: a esperança.
                                                                                                                         
                                                                                                                             
Lanny
Enviado por Lanny em 07/10/2006
Reeditado em 07/10/2006
Código do texto: T258305
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Sobre a autora
Lanny
São Luís - Maranhão - Brasil, 26 anos
5 textos (390 leituras)
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