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O APEGO COMO GÊNESE DA TRISTEZA HUMANA

O  APEGO COMO GÊNESE DA TRISTEZA HUMANA



               Tristeza, antônimo de alegria, sinônimo de infelicidade e adjetivo da melancolia. Uma palavra de todos conhecida, independente de seus credos, etnia ou classe social, mas muito temida de ser sentida, já que ficar triste é sofrer e no mundo da cultura globalizada da felicidade, esse sentimento não tem lugar.
       
              Muitos são os motivos que provocam a tristeza e diversas são as maneiras como ela é vivida, mas um ponto na gênese desse sentimento, se apresenta como angular: O APEGO. Sempre que ficamos tristes é porque passamos por algum tipo de perda: um ente querido; um objeto estimado; um projeto fracassado; uma doença; um emprego; uma viagem; um... Uma... Ficaria horas numerando nossos processos de perda. Quando praticamos uma ação é porque fizemos uma escolha e escolher significa deixar algo para trás. Ao nascermos perdemos o aconchego do útero materno e choramos nosso primeiro momento de tristeza e desse instante em diante, começamos a perder nosso bem maior que é a vida. O que nos dá a sensação de que algo fugiu ao nosso controle, fazendo com que fiquemos tristes é o apego, um afeto que na língua portuguesa tem uma conotação positiva, já que sempre nos referimos valorosamente quando a empregamos.
              Apegamo-nos as coisas e as pessoas no afã de conquistarmos a felicidade plena, como se esta fosse uma conseqüência do possuir material ou afetivo. Apego não é uma manifestação de amor, mas uma forma egoísta do ser, um desejo de conservarmos algo para sempre, mas esquecemos que  “ ... O para sempre, sempre acaba...” ( Renato Russo ) Posto que, a impermanência é a lei universal da criação e tudo que um dia foi criado esta a ela submetido, portanto em constante mutação.
               Sofremos e nos inquietamos só de pensar em nos desapegarmos de algo, é como se toda nossa base estrutural se desintegrasse, ficamos dependentes e vulneráveis e nem percebemos que somos nós mesmos que atribuímos tantas qualidades àquilo que nos prende, exagerando sua real importância. O apego nos dá uma sensação de posse, mas como posso possuir o que é efêmero? Uma das características do humano é sua finitude. A verdade da ciência não é mais absoluta e definitiva, a física quântica trouxe ao conhecimento do mundo sua condição de probabilidade e diante desse novo paradigma, o sentido de congretude perde o símbolo da segurança. Precisamos ser reconhecidos e aceitos diante do nosso contexto para que desenvolvamos confiança em nossas atitudes, caso contrário o desamparo se instala quebrando todos os pilares de  sustentação da nossa fortaleza pessoal, nos fazendo naufragar nas águas desconhecidas do Eu.
               No nosso processo histórico e cultural, o antônimo do apego, o DESAPEGO, é muitas vezes mal interpretado e visto como algo desleixado que não liga para nada, mas na verdade, o desapego nada tem a ver com indiferença, desapegar-se não significa abdicar dos prazeres - Ter uma casa nova; usar um belo vestido; ter uma mesa farta ou nos apaixonarmos por alguém - Podemos ter o que quisermos, mas sabendo que, quando necessário, temos que deixar aquelas coisas ou pessoas partirem. Portanto, ficarmos grudados a situações, pessoas, sentimentos ou hábitos, torna-se uma fonte de dor e tristeza.
              Quebrar com nossas amarras não é fácil, nos causa muitas dores e ficam feridas que precisam de tempo para cicatrizar, mas um excelente bálsamo é abrirmos mão do desejo possessivo de conservar as coisas e as pessoas indefinidamente. É aprendendo a nos libertarmos das armadilhas do apego que encontramos uma nova forma de ser-no-mundo, que se não for de felicidade, pelo menos será com um grau menor de tristeza.


                                               Iakissodara  capibaribe


IAKISSODARA CAPIBARIBE
Enviado por IAKISSODARA CAPIBARIBE em 07/10/2006
Código do texto: T258394
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Sobre a autora
IAKISSODARA CAPIBARIBE
Fortaleza - Ceará - Brasil, 49 anos
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IAKISSODARA CAPIBARIBE