Felicidade é Sabonete

Felicidade é como sabonete. Um purifica. O outro limpa. Sabonete se pega da embalagem e se usa até não sobrar mais nada. Com a felicidade não é diferente. Acredita-se em algo que nos trará bem-estar e, o mais rápido possível, tratamos de desembrulhar o “pacote” e usufruir este algo que idealizamos.

Neste desconhecido – o que quer que seja – investiremos toda nossa pele (reflexo dos nossos sentidos e sentimentos) para sermos felizes. Passamos por todo o nosso corpo esta novidade. Não deixamos escapar um tanto sequer de tecido epitelial sem que este novo objeto de purificação da alma não nos tenha consumido.

Mas não nos damos conta que sabonete acaba mais cedo ou mais tarde. Não realizamos que irá tudo para o ralo. Durante a euforia da higienização da mente e do corpo, não lembramos realmente que nada é para sempre.

Há também uma outra forma de não se notar que o sabonete é instável. A felicidade está em nossas mãos. Estamos tão seguros em tê-la. E de repente... Pluft!

Ela escorrega de nós. Esquiva-se. Cai no chão. Sai a ilusão para dar vez e voz à realidade. Fantasiamos tanto este sabonete! O que fazer agora? Temos duas opções:

1. Finge-se que não aconteceu nada e continuamos nosso banho. Só com água e shampoo. Este que é um mero quebra-galho. Um paliativo que realmente não nos fará felizes de modo algum;

2. Partimos para o tudo ou nada, enfrentando a água quente ou fria (depende do gosto do banhista ou se o chuveiro for elétrico ou não) e saímos novamente em busca da nossa felicidade.

Optar pelo primeiro ou pelo segundo? Responda você. A questão em si é: sabonete realmente acaba. Mas podemos ter um estoque de felicidade. Relevante seria não depender única e exclusivamente de um único sabonete? Ele – inevitavelmente – vai escorregar. A escolha de nos tornármos convenientes com a situação e esquecê-lo ou de ir novamente buscá-lo parte apenas de nós mesmos. É a atitude que tomarmos que dirá se: estaremos cem% limpos ou 100 por cento infelizes.

Se bem que este valor realmente não existe. E por mais que não queiramos admitir, felicidade espuma tanto que acaba.

Você tem um ou vários sabonetes?

Não pense nisso.

Delano Almeida
Enviado por Delano Almeida em 02/11/2010
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