CONFESSA: TU TENS UMA QUEDINHA PELO "BREGA"!

Estava eu aqui, pensando com meus botões, e lembrei-me de uma expressão que se usava muito na minha juventude: "ai, que cafona!". A palavra "cafona" era usada principalmente para a moda, mas acabou atingindo a música brasileira, através do termo "brega". Ou seja, algo que não é de bom gosto.

Nas décadas de 60 e 70, a música romântica de certos artistas passou a ser vista como cafona e deselegante. Influenciado, em parte, pela geração universitária que se identificou com a MPB, com o movimento tropicalista e com a Jovem Guarda, provocando um grande fenômeno de comportamento e moda. Interessante é que foi exatamente a Jovem Guarda que abriu caminho para alguns artistas se tornarem populares cantores "cafonas", na década seguinte. É o caso, por exemplo, do pernambucano Reginaldo Rossi.

Em princípios da década de 70, acentuou-se a estilização na música brasileira. A chamada MPB distanciou-se do samba e da música romântica. Roberto Carlos era um dos poucos artistas que fazia música romântica, com sucesso de crítica e de público. A maioria dos artistas românticos populares passou a ser estigmatizada como "cafona" (Altemar Dutra, Odair José, Reginaldo Rossi, Waldick Soriano...).

Na segunda metade dos anos setenta, uma nova vertente "cafona" surge, influenciada pelas discotecas, com danças e trejeitos sensuais. (Sidney Magal com "Sandra Rosa Madalena" e "O Meu Sangue Ferve por Você", e Gretchen com "Melô do Piripipi" e "Conga La Conga").

Na década de 80, a imprensa brasileira passou a designar o "brega" de música sem valor artístico, ou seja, música de mau gosto, feita para as camadas populares ( Amado Batista, Wando, Gilliard, José Augusto...).

Nos anos 90, alguns artistas se assumiram como "bregas". Caso de Reginaldo Rossi, auto-proclamado "Rei do Brega", que foi uma espécie de contraponto nordestino para o Rei Roberto Carlos, seu antigo companheiro de Jovem Guarda. "Garçom" foi um estrondoso sucesso nacional. Também numa linha "brega-escrachada", o cearense Falcão e, principalmente, os paulistas Mamonas Assassinas obtiveram grande êxito comercial. E, para completar, o "estilizado" Caetano Veloso também deu sua contribuição para a divulgação do "brega" O cantor que já havia gravado, em 1982, "Sonhos", de Peninha, regravou, em 2004, "Você não me ensinou a te esquecer", de Fernando Mendes.

Eu sempre apreciei músicas de boa qualidade e sou fã incondicional de Osvaldo Montenegro, Milton Nascimento, Djavan, Bethânia, Fagner, Caetano, Clara Nunes, Elis, entre outros. Mas, cá entre nós, também tenho um lado "breguinha". Será que alguém não tem? Ou tem e não quer assumir? Pois eu digo, com todas as letras, que gosto das músicas do José Augusto, do Gilliard, do Moacir Franco, do Peninha. E adorei ver Caetano cantando algumas "breguices". E querem saber mais? "Garçom" me dá vontade de sair dançando! Aliás, dancei muito essa música nos meus tempos de boemia...

* Nota:

A origem do termo "brega" é bastante discutida. Uma hipótese é que venha dos prostíbulos nordestinos. Ou que derive do "NÓBREGA" da rua Manuel da Nóbrega, em Salvador, que ficava numa região de meretrício da capital baiana.

Outra, é que surgiu no Rio de Janeiro, da gíria "breguete", palavra preconceituosa, usada pela classe média para designar empregadas domésticas e, consequentemente, seu gosto popular.

Giustina
Enviado por Giustina em 02/11/2010
Reeditado em 14/02/2014
Código do texto: T2593408
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