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Preconceito - bela menininha!

PRECONCEITO

Bela menininha!

Eu estava no ponto de ônibus, a pensar na vida, pensar em como seria meu dia, o que eu haveria de fazer, enquanto esperava o ônibus que me conduzisse até a empresa na qual trabalho.
Aproximou-se daquele local, uma criança de uns sete a oito aninhos, eu a conhecia, negra, e não bem vestida. Ao aproximar-se de nós (eu e outras pessoas que estavam também à espera de transporte), alguns recuaram, e a olharam fixamente como se ela não fosse gente. Num ímpeto, eu os olhei, eles não me retornaram o olhar, recuaram também meu olhar que os increpavam. Escutei perto de mim, “Deus, como ela é preta!” Ela abriu um sorriso, veio em minha direção me abraçou e me beijou!  Oi tia! – disse ela. Eu lhe retribui o sorriso e o beijo, trocamos dois dedos de prosa, o seu ônibus escolar chegou. Ela saiu alegre, despediu-se de mim com um belo sorriso, bela menina, eu lhe retribui o gesto igualmente; ao retirar-se de nossa presença, uma senhora me indagou – é sua sobrinha? Como pode tão pretinha e a senhora assim tão branca?! – Confesso a vocês queridos leitores, que realmente sou branca, e não chego a ser senhora, embora alguns me tratem assim por insistirem que eu aparento ter mais idade que realmente tenho. Embora, o que me deixou brava não foi o fato de mais uma vez ter sido chamada de senhora, o que me deixou indignada foi o fato da pergunta, da rejeição deles, não posso ter uma sobrinha negra, por ser branca? Por que recuar? Trata-se de uma pessoa normal, como eu, como você que me lê agora, não há diferença, tem dois braços, duas pernas, mas caso não os tivesse, qual seria o problema?! Muitos fizeram cara de nojo, ao me virem beijar a pequena, outros nem olharam na minha cara quando ela saiu, salvo poucos que agiram naturalmente. Pobrezinha, tão pretinha! – ouvi de um moço. Pra responder a pergunta da senhora, olhei em seus olhos e disse um Sim, zangado, claro, em alto e bom som.
Não meus queridos leitores, a pequena menina não era minha sobrinha, embora tenha me tratado por tia não tratasse nem ao menos de alguma parenta minha, ela me trata assim carinhosamente, por ter lecionado pra ela algum tempo, aulas de reforço, e me tem como uma amiguinha, além da enorme gratidão, por eu te-la ajudado. Ela é apenas uma pequena menina, que vive num mundo injusto, cercado por pessoas como naquele ponto de ônibus, que a discriminam, que a rejeitam por ser de pele escura. Paro pra pensar e vejo quão difícil será seu futuro, quanto ainda terá que passar por causa da cor de sua pele! Peço a Deus que a fortaleça, que cuide dela, que dê forças para enfrentar essa jornada que mal começou.


Será mesmo que o homem é racional como se julga ser?! Alguém que pensa seria capaz de desprezar sua própria espécie?
Aninha de Souza
Enviado por Aninha de Souza em 11/10/2006
Código do texto: T261768

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Sobre a autora
Aninha de Souza
Sumaré - São Paulo - Brasil
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