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Ninguém deixa a menina assim

        A menina que espera por carinhos na verdade quer mesmo é um telefonema que nunca chega. Sente falta do seu Ninguém.
Ninguém quer vê-la triste, faz carinho e a deixa assim.
Ninguém não quer estar com ela, pois ela sempre alegremente triste espera por aquelas olhos que Ninguém vê.
Quando Ninguém chegar, ela retoca a maquiagem e se olha no espelho, vendo aquilo que Ninguém verá. Ensaia uma dança e volta ao espelho, favas, Ninguém verá, Ninguém virá.
E a incansável espera continua, por vezes até mesmo saudosista.
Senta na frente do seu computador, com seu gato sobre os pés, aconchegado. Esperando por alguém que quando chegar deixará Ninguém preocupado.
Ela espera Ninguém acordada de olho no relógio, prestando atenção no tic-tac dos ponteiros, que incomoda, mas não, ela não quer incomodar! Para tanto, tira as pilhas do companheiro para não desviar sua atenção dos preparativos para a chegada de Ninguém e nem deixar o tempo passar para que Ninguém possa vir quando ela menos esperar.
Destila seu perfume inventando a felicidade ao sentir o cheiro do seu Ninguém. Inventa uma frase, um carinho para que Ninguém aprecie.
E devagar, sem pressa, ela adormece, sentindo Ninguém ao seu lado, vira de lado, e volta a dormir depois de imaginar que Ninguém iria chegar.

Natalia Gregolin
Enviado por Natalia Gregolin em 12/10/2006
Código do texto: T263057
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Sobre a autora
Natalia Gregolin
Piracicaba - São Paulo - Brasil, 29 anos
9 textos (447 leituras)
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 02:58)
Natalia Gregolin