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Que torresmo forte!

A história que passo a contar com certeza já deve ter acontecido com você ou com uma pessoa conhecida por você. Para minha sorte, aconteceu com uma pessoa conhecida. Uma pessoa que amo de paixão, mas que para preservá-lo vou chamá-lo de Vagarosa.
 
Cara legal, gente fina, servo de Deus, bom pai, bom marido, sem vícios Vagarosa é o que podemos chamar de um homem quase perfeito. Apesar de tudo isso, ele só tem um pequeno defeito: não sabia dizer não a uma carninha de porco.

O cara era é ainda é, fanático por uma gordurinha suína. Torresmo então nem se fala. Ele ama. E foi por causa disso que esta história aconteceu.

Era o ano de 1990 e lá vai fumaça. Vagarosa trabalhava no centro da cidade e raramente almoçava em casa. Um dia resolveu dar uma chegadinha em casa, mas quando chegou ficou sabendo que sua esposa estava na casa da sogra dele, ao lado da sua. Não perdeu tempo. Foi para lá.

Qual não foi sua surpresa quando chegou e encontrou no fogão uma panela cheia de torresmos. Era torresmo para mais de metro como se diz em Minas.

Chamou pela mulher, pela sogra, pelo sogro, mas ninguém respondeu. Como estava com fome não pensou duas vezes e atacou a panela. Comeu a se espaldar. Para ser mais exato comeu o que tinha e que não tinha direito.

Feito isso, já alimentado, resolveu que era hora de voltar para o serviço. Saiu da casa, caminhou até o ponto do ônibus, mas antes de chegar lá sentiu algo esquisito em sua barriga. Alguns sinais preocupantes, mas apesar disso achou que não era demais e daria para chegar no serviço.

Chegou no ponto e o ônibus logo veio. Estava lotado. Sardinha em lata ficava mais confortável que os passageiros daquele ônibus.
Não se sabe se por isso, ou qual outro motivo, mas o torresmo em excesso começava a fazer efeito. E que efeito!!!

Vagarosa sentiu que não daria para chegar no serviço e foi pedindo passagem aos passageiros para tentar descer do coletivo. Mas a quantidade de pessoas eram tantas que para sair ficaria difícil. É, mas além dele havia algo mais querendo sair...

Depois de muito tentar conseguiu chegar na porta e quando estava para descer o que acontece? O motorista freia o coletivo e todo mundo vem para frente, inclusive o pobre coitado.

Não preciso contar que aquilo que estava para sair e que ele vinha segurando, não precisou segurar mais. Saiu. Soltou do ônibus e quando pos os pés na rua, percebeu que o problema não havia ficado apenas na cintura. Havia descido para os sapatos que estavam, vamos dizer assim, encharcados de puro cocô. Tinha para dar e vender.

E o que fazer? A única saída era voltar para casa, mas estava a cerca de um quilometro. Sua calça era branca. Era... Não havia saída e lá foi o pobre coitado se esgueirando por ruas transversais, buscando não encontrar ninguém conhecido. Foi um suplicio, mas finalmente ele chegou em casa. Todo borrado, mas chegou em casa.

E aprendeu, ou melhor, acho que aprendeu porque agora mesmo o vi comendo uma porção sabem de quê? Isso mesmo de torresmo. Ainda bem que ele não vai sair comigo.

Até a próxima!!!
Fernando de Barros
Enviado por Fernando de Barros em 13/10/2006
Código do texto: T263474
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Sobre o autor
Fernando de Barros
Volta Redonda - Rio de Janeiro - Brasil
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Fernando de Barros