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CARTA ABERTA A MUHAMMAD YUNUS

Prezado ex-colega:
                                 Nós, banqueiros do mundo, reunidos em assembléia extraordinária, decidimos dirigir a Vossa Senhoria a presente carta ante a atribuição do Prêmio Nobel da Paz deste ano. Esperamos que o senhor – esperto porque já foi dos nossos – entenda que a expressão “ex-colega” já lhe antecipa o teor da presente.
                                 Parafraseando, utilizaremos suas palavras quando do anúncio do prêmio: “Não conseguimos acreditar. Todo mundo está dizendo que Vossa Senhoria, nosso ex-colega, ganhou o prêmio Nobel da Paz de 2006. Mas não conseguimos acreditar.” Notícia estarrecedora, uma desonra para nossa classe, afronta e desafio. Tantas reuniões. Arremessa ao léu nossas conquistas na trilha do grande Mayer Anschel Rothschild. Revira-se no túmulo por causa da desonra a que Vossa Senhoria conduziu nossa classe. Não apenas pelo prêmio, mas pelas condutas acintosas a nossos vetustos princípios.
                                 Senhor Yunus, o senhor foi excluído de nossa sociedade, de nossos jantares, de nosso estatuto, por falta grave. Desrespeitou – este prêmio o ratifica sobejamente – o artigo 121: “Um banqueiro jamais emprestará dinheiro para pobre”; o artigo 171: “jamais emprestará dinheiro a juros baixos” e o artigo 666: “jamais emprestará dinheiro sem garantias”.
                                 Yunus, você – a partir de agora o trataremos assim – nos humilhou e difamou. Seu coração mole, sua falta de avareza, sua preocupação com o bem da humanidade chegou ao limite do intolerável e ao extremo da idiotice. Muito nos estranha que tenha tido esta idéia ridícula de “Banco dos Pobres” ao voltar dos Estados Unidos. Que desperdício. Deram-lhe a oportunidade de estudar na maior nação capitalista do mundo e, na volta, em 1974, o ex-colega fica emocionado com a fome em sua Bangladesh. Ora, ora! Jesus – o judeu como Rothschild - já disse “pobres sempre tereis entre vós”. Que graça tem ser pobre sem passar fome? Até Jesus você afronta. Quer terminar com os pobres! Ora, pobres se terminam justamente com a fome. Você tem bom coração. Isso é muito idiota, ex-colega, muitíssimo idiota.
                                      Outro forte motivo de sua excomunhão do meio é pelo mau exemplo esparramado. Nossa classe corre muitos mais riscos. Principalmente com a justificativa da Academia Sueca - esses estúpidos– para a sua escolha: “Uma paz duradoura só pode ser atingida se grupos conseguirem achar uma forma de escapar da pobreza. Yunus mostrou que até os mais pobres podem trabalhar para gerar seu próprio desenvolvimento.”
                                               Sua idéia estapafúrdia de um banco para os pobres está sendo imitada até no Brasil. Em pouco tempo todos os economistas do mundo vão achar que a paz realmente vem da superação das desigualdades econômicas. Vincular a paz à economia é uma de suas piores e nefastas idéias. Jamais esperávamos algo assim de um dos nossos.
                                               A presente carta aberta é para comunicar publicamente: Não estás mais entre os nossos. Mas lembre-se. Você, ao semear na economia a semente da paz, foi quem primeiro nos repudiou e cuspiu pra cima. Com a paz a economia de mercado não subsiste, seu bocó!
ABM – Associação dos Banqueiros do Mundo. Seguem as assinaturas, no original.
Pablo Morenno
Enviado por Pablo Morenno em 16/10/2006
Reeditado em 16/10/2006
Código do texto: T265461
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Sobre o autor
Pablo Morenno
Passo Fundo - Rio Grande do Sul - Brasil, 47 anos
42 textos (5112 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 18:45)