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Nem tudo que é amarelo e brilha e ouro.

Nem tudo que é amarelo e brilha e ouro.

Era sábado, fazia aproximadamente 35 graus no Rio de Janeiro. Eu estava no ônibus voltando para casa após uma cansativa aula de história do Brasil. O fato de meus amigos terem curtido a “night” anterior em uma boate lotada de mulheres gostosas e bêbadas ao ponto de me confundir com o Brad Pit, atormentava meus pensamentos. Eu estava stressado, desmotivado e abatido.
Tentei dormir para relaxar, afinal, precisava estudar em casa e a noite finalmente sair e beber uma cachaça. De repente meu sono foi interrompido. Não existe coisa pior do que uma pessoa stressada e cansada ser acordada, tal fato já deve ter causado milhares de assassinatos pelo mundo. Porém me contive e prestei atenção no “barraco” que uma mulher estava fazendo dentro do ônibus.
Ela dizia que o trocador estava olhando para ela e debochando, rindo e fazendo mímicas sobre ela. Mas sobre o que?eu não sabia. O trocador por sua vez negava que tivesse feito qualquer coisa parecida com as que a mulher disse. Só que a mulher havia me acordado, logo, havia cometido um crime gravíssimo. Além disso ela dizia coisas ao trocador relacionadas ao seu trabalho, tentando humilhá-lo.
Minha mente foi tomada por um raiva justiceira e enquanto eu pensava em algo fui interrompido. Um rapaz gritou:
VAI LAVAR ROUPA!!!
Piadas machistas sempre fazem uma mulher se sentir mal. O rapaz que estava vendendo bala no ônibus foi mais rápido e eficiente em defender o trocador.
Quando a mulher tentou falar algo o rapaz disse novamente:
VAI PILOTAR FOGÃO! TEM COMIDA PRA FAZER EM CASA NÃO??
Ela partiu para o lado pessoa chamando o ambulante de ignorante e menosprezando seu serviço.O onibus ria da cara da mulher. Ate mesmo mulheres riam das piadinhas machistas que o ambulante dizia em alto e bom som.
Quando o primeiro silencio rolou entre os três eu gritei:
ISSO É FALTA DE PI...!
O ônibus caiu na gargalhada e a mulher não conseguiu identificar quem havia dito tal frase.
Eu fingi que não havia dito nada, fiquei quieto na minha. Ela resmungou um pouco e parou. A senhora se levantou e veio caminhando, ela possuía uma deficiência na mão. Essa era realmente algo sério, mas não acredito que o cobrador tenha debochado dela. Eu não sabia que ela era deficiente, agora imagine minha cara de idiota. Eu me meti na confusão sem saber. Acabei discriminando uma pessoa sem querer, desnecessário. Só não pedi desculpas pois seria uma grande idiotice de minha parte e ela nunca acreditaria que não sabia de sua deficiência. Para mim ela achava que o trocador havia dito que ela era gostosa, ou puta, feia...algo do gênero.
Isso vai servir sempre de lição para mim. Como o sábio Romário diria para mim:
“ai peixe, deu mole. Entrou no ônibus e já foi querendo sentar na janela.”
Távora
Enviado por Távora em 24/10/2006
Código do texto: T272388
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Sobre o autor
Távora
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 29 anos
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