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Um mundo estranho a mim

Estranho. O mundo anda muito estranho. Desculpe-me em insistir, mas as pessoas andam muito estranhas. Inclusive eu. Eu ando muito estranha. A vida ganhou uma estranheza, que até os próprios estranhos tornaram-se comuns. A humanidade vive um momento de estranho retrocesso, de estranhos comportamentos, de gostos estranhos, de estranhas necessidades.

Vergonhoso. Vergonhosamente, as pessoas perderam a vergonha e saíram dançando na boquinha da garrafa. Que Nelson Gonçalves, que nada! Se Chico Buarque consumia alguns cálices de vinho para perder a vergonha de cantar, hoje nem bebendo uma garrafa inteira, consigo requebrar ao som de um baile funk. Passo vergonha, enquanto os sem-vergonhas se divertem por aí.

Triste. Contudo, pais, filhos, avós, ninguém se entende mais. Os filhos dão um final triste aos próprios pais. Os pais acabam com a vida triste dos próprios filhos. O amor se transformou em um triste jogo de interesses. A tristeza predomina sobre a humanidade sofredora. Quem honra pai e mãe, quem honra filho e filha, quem honra a família, faz parte da triste minoria.

Cruel. Os valores e princípios da sociedade tornaram-se cruéis. Cruelmente, a vida é movida pela ambição, pelo status, pela riqueza. A crueldade do dinheiro fez do homem seu maior inimigo. Não importa como ter mais, o importante é ter mais. A selva de pedra transformou o ser humano em um cruel lutador.

Atroz. A atrocidade do imperialismo fez da guerra um falso instrumento de paz, que apenas alimenta o ódio e a animosidade. As atrocidades de nossos governantes, a prepotência de ditadores, mancham de sangue e de morte uma batalha atroz, onde não há vencedores. Apenas atrocidades e o horror.

E é assim que nosso mundo, aos poucos, se desfaz. É assim que a dignidade perde espaço e a ganância cresce e se dissemina. É assim que a humanidade se transforma em desumanidade. Estranhamente, vergonhosamente, tristemente, cruelmente, somos atrozes em nossos próprios sentimentos.
pann
Enviado por pann em 26/10/2006
Código do texto: T274104
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Sobre a autora
pann
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 34 anos
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