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ENCHENTE NO SEGUNDO ANDAR!

Você Já ouviu falar em enchente no segundo andar? Incomum, estranho, mas aconteceu!
O tempo fechou e nem deu tempo pra fechar as janelas, desentupir os ralos do meu coração.
Você passou por mim feito rajada de vento e levou embora o sol do meu verão intenso que
irradiava desde então.

Coisas banais, como um ursinho e algumas caixinhas me fizeram chorar como uma criança manhosa. Te guardei no fundo do meu guarda roupa e lá achei um pedaço de mim que já tinha sido desintegrado a muito tempo.
Éééé Grazi, mais um que foi embora! Será que há algo de errado comigo? Alta de mais? Bonita de mais? Inteligente de mais? Boa de mais? Humilde de menos?

Queria concertar tudo que aconteceu, mas na verdade sei que esse erro não foi meu.
Lembra? Sempre falei que estava sentindo você muitíssimo diferente, e você dizia pra não se preocupar, que não tinha nada a ver com o amor da gente, e eu fiquei querendo acreditar, mas eu sempre soube que tinha algo acontecendo, dava pra ver em seu jeito de me olhar.

Docinho,docinho, nem ao menos sei o que fizeram com você, só sei que você está diferente, será que estão querendo acabar com o amor da gente?

Amar é muito fácil, difícil é esquecer que um dia todo amor que tinha dei pra você, mas quando percebi que não foi de mais já era muito tarde pra voltar atrás e te dar o que eu não te dei.

Droga, você sempre me faz pensar de mais. É incrível até tentando te esquecer lembro de você. Olho no espelho e lembro de você, abro a geladeira e lembro de você, passo perfume lembro de você.

Como é chato viver com fantasmas que ainda não morreram, mas assombram a soleira de meus atos.
Como é chato saber que a gente se atura porque perder pessoas é muito triste.
Como é péssimo olhar pra dentro de seu ser e perceber que tem um rombo imenso e invisível.

Sempre reclamei do seu silencio e sinto falta. Até da raiva, disfarçada em desprezo, que você tinha em nunca me fazer feliz, sinto falta da certeza de que tudo estava errado, mas do corpo sem forças para fugir, sinto falta do cheiro de morte que carregávamos enquanto ainda era possível velar seu corpo ao meu lado, sinto falta de quando a imensa distância ainda me deixava te ver do outro lado da rua, passando apressado com seus ombros perfeitos. Sinto falta de lembrar que você me via tanto, que preferia fazer que não via nada. Sinta falta da sua tristeza, disfarçada em arrogância, de não dar conta, de não ter nem amor, nem vida, nem saco, nem músculos, nem medo, nem alma suficientes para me reter.

Éééé Grazi, mais um que foi embora! Será que há algo de errado comigo? Alta de mais? Bonita de mais? Inteligente de mais? Boa de mais? Humilde de menos?.
Ééééé docinho, sua jóia já não brilha mais. Seu mozão virou mozim, tudo diminuiu, sabe por que? Porque você inflamava tudo com seu jeito de viver a vida a Deus dará!

Se quer saber: Préparé pour tout, seulement pour vous ne pas perdre!

Grazielle Soares
Enviado por Grazielle Soares em 03/11/2006
Código do texto: T280760
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Sobre a autora
Grazielle Soares
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 27 anos
15 textos (3567 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 18:14)
Grazielle Soares