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Hipocondríacos.Br

Estou me tornando um individuo encabulado. Andar arredio já esta fazendo parte da minha vida.
Começo a achar graça das coisas que vejo e sinto, mas não posso modificar.

Será que os outros estão ficando velhos e eu permaneço moço? Ou será que eles estão assimilando o mundo melhor que eu, portanto eu me tornei velho, e eles cinicamente continuam jovens? Ou o meu conceito de certo e errado e uma besteira? Será que tudo esta certo e errado ao mesmo tempo, e eu não percebo e por isso creio incomodar, e me refugio, e me escondo, e não consigo compartilhar as loucuras alheias?

Às vezes encontro grupinhos de amigos, todos na casa dos cinqüenta ou sessenta anos, portanto na meia idade, se assim compreendo, e todos eles já se apossaram de alguma doença. Neste estranho caso, não é a doença que está neles, são eles que não abrem mão de serem doentes.

Incorporaram a doença e se sentem donos destas doenças. São donos até de médicos, de remédios específicos, e de doenças para qualquer gosto. Quer se enturmar? É só inventar uma doença. Pode ser até para sacanear. Quer uma boa briga? É só dizer que aquilo tudo é psicológico.

Cairão em cima de você de pauladas dizendo que as piores doenças são psicológicas, desgraçadamente com razão. São inofensivos do ponto de vista moral, mas do ponto de vista espiritual, são altamente contagiosos.

“O meu medico me disse que o meu diabetes evolui. A minha taxa de glicose está em 450, se eu não me controlar, não fizer o meu regime, e a  taxa subir para 600, eu entrarei no processo de coma, e o meu coma será irreversível, diz orgulhosamente”. “O meu PSA está em tanto. O meu medico esta avaliando de devo operar  minha próstata, ou avaliar a atuação do meu remédio”.

“A minha pressão está alta, meu pau está baixo”. “Meu cardiologista me recomendou repouso. Meu geriatra, lítio”.

Os mais afortunados possuem mais de um medico. Oculista, geriatra, cardiologista, otorrino, psiquiatra. Colecionam médicos e alguns chegam a tomar vinte tipos de remédios diferentes, ao dia. Tomam até remédio para o mau olhado, e remédio para descarregar o corpo.

Descobriram recentemente o tal de “Terapeuta Holístico”, e já estão tomando remédio até para a alma: Os florais. Estes “florais” leva a mulherada ao delírio. Menos mal!

Na verdade o que eu acho, é que quando o homem “aposenta” os seus sonhos, seus objetivos, suas utopias; quando o ser humano se esquece da sua utopia, ou a utopia de alguém, ou a grande utopia coletiva, ele vai se tornando uma criatura imprestável, para a sociedade e para si próprio. O niilismo toma conta da sua vida, e os médicos.

Ora, uma pessoa de meia idade que perdeu a capacidade de sonhar, e realizar algum sonho seu, ou coletivo, não luta para realizar este objetivo, tem mesmo é que tomar remédios.

Uma boa causa faria  muito bem a estas pessoas. Nós temos uma nação
para construir, uma sociedade para ser refeita, milhares de causas
ecológicas para serem abraçadas, onde a natureza implora pela nossa
ajuda, compreensão, e muito mais.

Pode-se ir começando a vencer estas doenças, plantando uma pequena horta, planejando um jardim, um pomar no fundo do quintal, visitando um doente, escutando o idoso.

Existem centenas de causas bem mais importantes para o bem estar, do corpo e do espírito, que sair por aí, desvairadamente procurando doenças imaginárias.

Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 03/11/2006
Reeditado em 17/03/2007
Código do texto: T281411

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Sobre o autor
Jose Balbino de Oliveira
Vitória - Espírito Santo - Brasil
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