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Teoria

Observando o comportamento das pessoas em geral, e fazendo inclusive uma auto-crítica profunda, desenvolvi uma teoria sobre o puritanismo. Acredito que por trás dele, esconde-se uma boa dose de hipocrisia. Os puritanos ficam indignados, porque se sentem em perigo ao contato com aquilo que aprenderam que é transgressão. Ficam entre o secreto desejo de provar e o temor do castigo, pois assim foram condicionados, pelas suas crenças religiosas e ou, educação repressiva.
Essa atração leva alguns a alimentarem relações com pessoas cujos hábitos, costumes, vícios, normalmente condenam. É uma atração mórbida. É uma relação puramente verbal, o que não significa que não possa a vir se concretizar fisicamente.
O quase transgressor, dentro de sua enorme curiosidade, torna-se confidente, mostra-se atraído, questiona, conhece, sempre no campo do platônico, intimamente o “pecador”. Incentiva-o a mais confidências sobre seus gostos mais secretos.
Finalmente, quando percebe que sua atração está chegando ao limite do que se permite, sentindo-se aproximar perigosamente de uma possível participação mais efetiva, à vista do castigo que sofrerá se ceder às tentações, escandaliza-se. Passa a condenar enfaticamente aquela pessoa que lhe confiou segredos íntimos, a qual acreditara ter encontrado alguém que lhe comungava as idéias. Mas, o puritano faz suas acusações com outras pessoas de sua relação. Ele não toma essa atitude com o que lhe inspirou tanta “aversão”. Na verdade, não deseja romper com o pecador. Compraz-se com as transgressões do outro, que sentencia doente.
 Deseja evidenciar o lado pecaminoso daquele que seduzira. Torna-o íntimo o suficiente para que ele se desnude. Transforma-o em algoz, quando na realidade, ele está sendo sua vítima. Enganou-o com sua aparente conivência, e usa suas confissões íntimas para provar sua fortaleza moral. Mas, como saber disso não é suficiente, é necessário que haja testemunhas do fato. Faz-se necessário que outras pessoas saibam de sua incorruptibilidade.
À primeira vista é um comportamento incoerente. Acho que Freud explica.  291006

Vitoria Lerinha Haubert
Enviado por Vitoria Lerinha Haubert em 04/11/2006
Código do texto: T281657

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Sobre a autora
Vitoria Lerinha Haubert
Sapiranga - Rio Grande do Sul - Brasil, 71 anos
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Vitoria Lerinha Haubert