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Relatório de um crime comun

14:00 hr _ O sol queima como fogo dentro de uma casa antiquada, aquele cheiro de móveis queimando, móveis que denunciavam a idade da casa, um tédio tão terrível que nem Gandhi aguentaria, na poltrona clássica e confortável um senhor sentado formalmente ao lado de uma linda mulher, uma verdadeira gueixa perdida no tempo.Uma cena comum se não tivessem suas gargantas cortadas, se o sangue não jorrasse e banhasse metade da sala a tornando um pedaço do inferno....

14:20 hrs _ "Nossa que calor insuportável né pai" disse um garoto ao entrar no corredor, apressou seus passos e continuava a dizer, "Não adianta se esconder não, você prometeu que iríamos ensaiar hoje", aquelas piso rangendo já estava me tirando do sério...ao adentra a sala e se deparar com a cena macabra, o menino fica estático, dava para ver sua alma através de seus olhos arregalados e assustados, a criança estava vestida de uma roupa típica francesa, pronta para ensaiar sua primeira peça na nova escola, Shakespeare....

14:23 hrs _ E o calor aumenta sem piedade, e dentro da casa a criança vêm chorando em minha direção e pedindo para "consertar" seu pai, que agora mal poderia ser visto pois o sangue fizera o favor de encobrir sua face amedrontada, a criança chorava tão verdadeiramente que me deu vontade de chorar, pena que não consegui...

14:30 hrs _ Aproximando dos corpos, o homem aparentava ser um homem inteligente, já a mulher ao seu lado se mostrava sedenta de amor, com um olhar doce mesmo tendo sua garganta cortada tão friamente...

14:35 hrs _ Droga, não consigo pensar com esse calor e esse maldito silêncio, que não me dão trégua...Quem poderia ter feito isso? estava tudo tão calmo...Quando me aproximo do rosto dos dois, percebo um sorriso de agradecimento nos seus lábios suculentos de sangue, um pequeno alívio...

14:50 hrs _ Finalmente a policia chega, me perguntam sobre o cadáver, e me espancam apenas por portar uma faca, a faca que meu "irmão" usava para ensaiar com seu pai, agora morto, a mesma faca que aquela mulher fizera as cicatrizes em meu "irmão", cicatrizes que agora eram abençoadas pelo choro de uma criança infeliz, que nunca tivera a chance de viver como humano, vivia nas sombras de suas imperfeições...Apesar dos alertas de que relações com filhas podem resultar em crianças deficientes?!!

15: 00 hrs _ O Policial que me levava deixou sua mão afrouxar, e consegui me livrar, desferi um golpe fatal em meu coração, um corte limpo e certeiro.Me acalmei mesmo com a tentativa de reanimação dos policiais, o meu sangue se juntará aos dos cadáveres, e meu espírito sofria um baque de arrependimento e satisfação...estou morto.

15: 01 hrs _ Horário de minha morte. Com 19 anos, morador de rua, fugitivo da penitenciária, e alimentado todo dia por um menino visivelmente maltratado pelos humanos, que mesmo depois da sessão diária de humilhação, sorria pra mim ao trazer metade do seu prato sem se preocupar com a sua própria fome...Finalmente tinha encontrado o verdadeiro "jesus".
Battousai
Enviado por Battousai em 04/11/2006
Reeditado em 18/08/2008
Código do texto: T281773

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Sobre o autor
Battousai
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 25 anos
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