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''A cidade''

“A cidade”


Era uma vez uma cidade.
Ela era pequena, mas porém era uma bela e pacata cidade.
Seus rios eram limpos, suas ruas também eram limpas, suas calçadas eram bem cuidadas, era uma verdadeira cidade dos sonhos de qualquer um.
Mas um dia o prefeito achou que faltava algo mais, achou que sua cidade era bonita bem cuidada um verdadeiro paraíso, mas a sua arrecadação mensal só era o suficiente para saudar as dívidas das suas licitações.
Ele então liberou incentivos para que industrias se instalassem na sua região. Ai foi uma loucura, vieram fábricas até do exterior, veio fábrica de tudo, fábrica de cerveja, fábrica de sabão, de cigarros, vieram curtumes, laboratórios farmacêuticos, cimenteiras, fabricas de refrigerantes, etc...
No começo a população gostou pois aumentaram os empregos e a renda do povo crescia cada dia mais. Quem andava de bicicleta agora anda de carro.
A procura por carros em uma outra cidade foi tanta que rapidamente uma agencia se mudou logo para lá. Depois uma montadora.
Agora todo mundo tem carro, todo mundo vai pro trabalho de carro, as ruas tiveram que ser alargadas pois não suportavam mais o aumento do fluxo de veículos automotores.
Ai um belo dia resolveram erguer um prédio de uns dez andares, depois um de vinte noutra avenida, outro de trinta, quarenta e a cidadezinha pra quem visse de longe mais parecia agora uma enorme pedreira.
O prefeito agora está feliz pois os cofres públicos estavam estupefados.
Agora! Dizia ele, vamos fazer vários viadutos, façam vias de concreto por sobre os rios, incentivem a agricultura desmatem o cerrado, será que não vêm que esta terra é boa? Plantem! Plantem cada vez mais.
A cidadezinha aos poucos foi sendo engolida pelo capitalismo desenfreado.
Montanhas sumiram completamente, destruídas por mineradoras ávidas em busca de minérios e pedras preciosas. Túneis enormes eram escavados por elas.
Os rios que eram límpidos agora transportam bolhas enormes de poluentes em seus leitos, pneus velhos e garrafas pets tomaram o lugar dos peixes e das aves.
Chuvas ácidas caem incessantemente destruindo plantações e trazendo várias doenças às pessoas, os postos de saúde já não suportam a quantidade de pessoas com problemas respiratórios e alérgicos, os hospitais estão superlotados faltam remédio em seus estoques, temos um verdadeiro colapso no sistema.
Caminhões de lixo eram comprados a toda hora. Um vale bonito onde havia uma nascente foi o local escolhido como lixão e em pouco tempo eles entupiram tudo.
Um dia o povo começou a reclamar, começaram com pequenos manifestos, depois foram aumentando. Carregavam faixas com dizeres de abaixo a poluição, salvem os nossos rios e nossas matas, despoluam o nosso ar, salvem-nos por favor!
O prefeito começou a ficar preocupado. Ele então reuniu todos os seus secretários e disse-lhes: Excelentíssimos secretários e secretárias estou muito preocupado, será que vale a pena mesmo tanto crescimento? A poluição está asfixiando a saúde e a economia, os rios estão secando, temos um colapso no abastecimento, a água potável agora tem que vir de longe por dutos que valeram uma fortuna aos cofres públicos, os racionamentos são freqüentes, um dia tem água, outro não, os índices de umidade relativa do ar se equipara aos dos desertos, o que foi que eu fiz? O lixo está no meio das ruas entupindo os bueiros, as enchentes invadem nossas casas, meu povo sofre cada dia mais.
O prefeito então com o consenso de todos expediu uma ordem.
Todas as empresas terão que colocar filtros em suas chaminés e seus dejetos e rejeitos terão que ser tratados antes de alcançar o leito dos rios, os agricultores, fazendeiros ou sitiantes terão que replantar os vinte por cento pedidos por lei, todo o lixo terá que ser reciclado, os esgotos da cidade terão que passar por uma estação de tratamento, e será multado severamente qualquer um que desrespeitar qualquer uma destas normas, veículos de transporte em massa menos poluentes serão comprados para atenderem a população fazendo com que as pessoas deixem os seus carros em casa.
Daí pra frente todas as empresas e todas os cidadãos aderiram seriamente a campanha, ninguém mais jogou lixo em lotes vazios o leito dos rios foram dragados e aos poucos eles voltaram ao seu curso normal. Os peixes apareceriam cada vez mais e junto com eles as aves, o ar já não é mais pesado e nem cheira a enxofre como antes.
O povo agora está feliz, o prefeito também está feliz afinal eles derrotaram o monstro do lixo.
Jamais a cidade será como era antes mais pelo menos todos tiveram bom senso e força de vontade em busca de um ideal e isso foi o mais importante.
Todos deveriam se preocupar mais com o planeta onde vivemos pois se continuar essa degradação, esse descaso com a natureza os seres humanos e muitas outros seres vivos se extinguirão num futuro muito breve.

Autor: Belchior Contins
Belchior Contins
Enviado por Belchior Contins em 04/11/2006
Código do texto: T282227
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Sobre o autor
Belchior Contins
Lagoa Santa - Minas Gerais - Brasil, 50 anos
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Belchior Contins