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UM DIA PARA O RESTO DA VIDA

UM DIA PARA O RESTO DA VIDA (Crônica)
Rogério Grillo



A tarde já ia embora, aquela hora em que o sol quase que desapareceu
e a gente já nota uma estrela no céu, apesar de ainda haver luz. Estava cansado.
Um cansaço de um  dia longo, muito longo. No dia anterior, recebera um
telefonema avisando do evento a que estava convidado. Uma festa, um
churrasco. Naquela manhã tomou todas as precauções para que nada o
impedisse de Ter todo o dia livre, sem ser chamado no trabalho, nem por
ninguém com quem ele não quisesse falar. Acordou cedo, lavou o carro, comeu
uma salada de frutas e saiu cedo, sem celular, sem dar chance ao azar, seria
um dia perfeito, pensou.
Ao chegar, o grupo estava ainda se formando, as poucas pessoas que
já estavam, eram, como ele,  os amigos mais próximos dos anfitriões.
Depois de cumprimentar a todos, dirigiu-se à cozinha a fim de pegar uma garrafa de
cerveja, um aperitivo. Foi quando aconteceu. Ela estava ali, impávida e
tranqüila, ela, lendo o jornal de domingo, com aquela serenidade das musas. Era linda.
Em seus 35 anos de vida, nunca vira nada igual. Aquela mulher pôs
abaixo todos os seus conceitos, parâmetros e ate a sua experiência.
Sentia-se um adolescente. Loura, alta, pernas esguias, a pele.
.ah, a pele era um pêssego !...e que olhos ! como diria o poeta
dois oceânicos olhos de um azul nada pacífico .....ele riu ao lembrar desses versos,
quanta e quantas vezes ele já os dissera como forma de galanteio no passado. Tudo agora seria insuficiente, aquela mulher, de súbito, se tornara inatingível, tinha a
força serena de um rio, a graça imponente de um velho sobrado, e ele ainda
nem a conhecia, não haviam sido apresentados. Será que deveria conhecê-la ?
pensou...não seria um risco desnecessário ? sim, porque, até ali, ele, sem
conhecê-la, já experimentara sensacões até então desconhecidas, ela, sem
duvida, tirara-lhe o chão. Nem a costumeira segurança um tanto machista,
típica de um homem que se sabe bonito, bem-sucedido, e que, no passado, teve tantas mulheres a lhe afirmar e confirmar tudo isso o tranqüilizava diante de tal aparição.
Mas o inevitável aconteceu. E antes que ele pensasse em fugir, dissimular ou sair dali, os anfitriões o chamaram para apresentar-lhe aquela nova amiga. já não se reconhecia, pouco se controlava, sentiu, no semblante da dona da casa que algo não ia bem, mas não teve forcas para perguntar, nem fugir. Nem lembra o nome dela, pode ser Leila, Lucia, Daisy ou algo parecido, não importa. Sua essência, algo de muito profundo havia se modificado naquele dia, dentro dele, e para sempre. Nunca mais seria o
mesmo, ele agora seria so AMOR, em todas as suas manifestações, com todas as obsessões.
Passou o resto do dia a pensar nisso, em como seria sua vida a partir de agora. Mudaria. Mudaria de rua, de cidade, ate de profissão , mudaria de estado, mudaria tudo.
Quando se deu conta, estava sozinho. A festa já havia acabado. Não notara, não se despediu de ninguém, ficou na beira da piscina desde o momento em que sua musa, a partir de hoje, eterna, tinha-lhe sido apresentada. E agora, a tarde já ia embora, aquela hora em que o sol quase que desapareceu e a gente já nota uma estrela no céu, apesar de ainda haver luz. Estava
cansado.................

Rogério Grillo
Enviado por Rogério Grillo em 07/11/2006
Código do texto: T284599
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Sobre o autor
Rogério Grillo
Lauro de Freitas - Bahia - Brasil, 47 anos
4 textos (286 leituras)
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