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O Cadarço do Sapato

O calçado lá vai ...
Caminhando com seus estranhos cadarços, tão diferente e com marcadas identidades singulares..
.
Um impecável , sempre bem amarrado , com laço bem feito coisa feita com jeito e com muito trato todo garboso caminha em cima do calçado.

O outro muito desleixado, com jeito de pouco caso, se apresenta meio largado, quase esparramado.Arrasta-se no asfalto , fica cinza nem olha para cima e lá vai todo desfiado , desafiando a vida no compasso de cada passo...

O cadarço impecável, olha meio sem jeito e com um contrafeito, solicita uma possível reforma neste aspecto do enfadado companheiro.

O desleixado faz pouco caso,se coloca ainda todo glorioso fazendo de conta que seu estado é mesmo o mais formoso.
Mas o coitado do impecável, se ajeita no laço e mostra o quanto aquele ar desfiado pode por em risco o passo dos dois calçados.Um risco desnecessário, deste caso impensado de andar assim tão despreocupado. Será que não vê ? O quanto este asfalto é mesmo um campo minado?

Mas qual , nada...Nada pode ser feito a não ser esperar...E esperar, o dia dos dois passos desandar e num descuido escorregar...

E tal fato não leva tempo demais , pois assim o desleixado arrastado no asfalto em seu garboso desfiado é pego de surpresa e preso fica nas rodas alinhadas de uma bicicleta, que sem muito jeito atravessa no caminho dos dois cadarços com grandes diferenças interessantes.

E tudo acontece neste mundo de letras visionárias , a roda gira desfila com o cadarço no meio do raio da formosa bicicleta...E assim acontece...

O dono até corre em seu socorro, mas é tarde o cadarço desleixado esta lá no meio do asfalto caído cinza, quase que ainda se arrisca em um fio a segurar-se no calçado.Fica assim em dois pedaços, um no calçado curto já não se arrasta no asfalto, talvez até venha ficar mais claro e o outro restante já não acompanha os passos ...

Agora o desleixado, apenas pode olhar lá em cima as nuvens. hora cinza, hora tão branca naquele céu tão diferente que ele nunca tinha visto, tão preocupado que estava em sentir apenas o asfalto.


E o dono do calçado, este nem precisou se lamentar fez um nó no resto do cadarço e se foi no lado oposto da bicicleta,.E ele se olha ali parado, um resto do cadarço que sente o asfalto onde fica deitado ,mas se ajeita com o vento e fica assim a olhar saboreando as nuvens que passam para ele gargalhando a voar no céu . Neste céu tão azul neste final de tarde desencantada, com esta estória nascida no meio da turma que se agita a amarrar os cadarços de cada vida...
Penélope*M*

Marli Franco
Enviado por Marli Franco em 08/11/2006
Reeditado em 12/04/2009
Código do texto: T286102
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Marli Franco
São Paulo - São Paulo - Brasil
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