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lembremos lebres

Não gosto de me sentir obrigado a nada, contudo viver é uma obrigação, obriga-nos. Claro, posso sair e ir beber um copo, mas acabo de entrar, chego de copo tomado. Volto às frases? Aos pensamentos? Às redacções?
Uma redacção até que seria uma boa ideia, uma breve, brevíssima narrativa:

O meu gato engravidou a gata da vizinha, agora quer que eu ajude a definir o futuro dos gatinhos. Vou ter da distrair...

É mesmo uma história sem desenvolvimento nenhum, não dá para redacção?, dá. Qualquer coisa dá, para qualquer coisa. Praticando:

Quando desci as escadas encontrei-a, ia começar a subir, disse-lhe: - Se me vais procurar em casa, não estou. Como era verdade saí, ela subiu na mesma e foi para casa.

Quando o que estamos a escrever se parece com coisa nenhuma, é altura de pensar "Agora que já agi antes de pensar, que vou fazer a seguir?"

Vamos àquilo que não me apeteceu ainda hoje fazer, tomei nota numa folha.

LEMBREMOS LEBRES

A ideia do leitor ser p(r)esa, pesa até para este narradoR preso
....
na ficção, de forma livre ou fixa, tanto fax...
Com mais de 48h de atraso, voltamos onde ia, íamos... Obviamente, a pensar em 
http://www.recantodasletras.com.br/mensagens/278543

Na mesma folha tenho um outro apontamento:

QUERO SER UM LUSÍADA

Deixei-o apenas com IX cantos porque acredito que a Ilha dos Amores deve ser o último canto do poema!

Na verdade não acredito em nada, a não ser que a alma nada, nade, faça o pino...
Não sei que mais disparates conseguiria coleccionar quando a MJLimeira me autorizou a publicar o que vão ver, se tiverem paciência de ler!

Aqui deixo (o)

QUERO SER LUSÍADA
«ébrio & não sóbrio»,
dizer-m_e-u...

I
Este poema
que alguém já disse ser o melhor
texto do mundo
também pode ser interpretado
apesar de estar
ainda a ser escrito como
agora o faço!

II
Não sei se posso dizer o que disse
sem precisar de dizer
mais nada
e
só por isso que é isto
é
que continuo assim
a
desenhar versos
o
ofício que criei
quando pensei jogar
na lotaria da imortalidade humana

III
Como se sabe
a imortalidade humana
é muito diferente
da dos outros animais
inumanos e além
disso ainda mais mortais
porque morrem
de vez quando morrem
sem saber como
nós os humanos deixamos
de morrer quando
morremos apenas corpos
que vão mais cedo
descansar podendo deixar
as obras feitas
para nos imortalizarmos!

IV
Felizmente soube disto
como bem pode
saber qual pessoa
minimamente informada
ou interessada
diga-se de passagem
em abono duma
verdade não universal

V
Gosto de pensar
que este poema já existe
e conquistou
por mérito próprio
a eternidade
desde este exacto instante
é crença feita
oração em versos
imortal poesia do humano
desejo que há
em mim e em quem
quiser como eu ser também
imortal agora e...
na hora da nossa morte Ámen!

VI
Não, não creio que possa
ser assim tão simples, pois sei
como muito bem sabe
destas coisas e doutras e de todas
as coisas que podemos saber:
sem sorte nada acontece
que não seja efémero
como ter nascido e morrer
que, como se sabe, são momentos
mais ou menos breves
de passagem por esta vida
cuja duração por mais longa
possa ser e efectivamente seja
tendo em conta contabilizar
de vário modo memórias
nossas e dos outros como nós
até chegarmos à conclusão
de termos tido uma vida longa
em comparação (com)parada...

VII
São contas sempre difíceis de fazer
tendo em conta tudo
o que faz parte do saber:
o melhor texto do mundo
é sempre aquele que estou a fazer...
enquanto gozo este gozo: ébrio & não sóbrio

VIII
Claro, é mesmo uma das primeiras
aprendizagens úteis,
devemos acabar enquanto
não acabam connosco!
Posso sempre pensar
ninguém se pode meter
entre mim e o meu poema!
Só penso asssim quando quero
começar a ter pena de mim!
É tão doloroso morrer desta maneira...

IX
O gozo que não dá
saber que somos capazes
de escrever um poema longo
capaz de nos levar até ao canto IX

(o Canto IX é passado na
Ilha dos Amores, nos Lusíadas,
para premiar os Descobridores...) 

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Francisco Coimbra
Enviado por Francisco Coimbra em 10/11/2006
Código do texto: T287089
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Sobre o autor
Francisco Coimbra
Portugal
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