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PAPAI NOEL ME VISITOU

           PAPAI NOEL ME VIZITOU


               Era véspera de natal. Sei disso porque o movimento das ruas e o burburinho dos ambulantes, não deixam ninguém esquecer essa data. O sol de manhã já ardia na pele, é como se precisasse alertar o mundo de que algo esta errado.
                  Natal lembra frio, neve, trenó e renas do Papai Noel, pelo menos essa é a imagem que aprendemos desde cedo. Nada parecido com esse calorão. Limpei o suor do rosto e fui á luta. O sinal fechou e comecei a praticar meus malabarismos com as varetinhas envoltas com borracha de pneu. Já sei cronometrado o tempo do sinal. Parto, depois do pequeno espetáculo, para correr as janelas dos carros em busca de algum que garanta minha refeição do dia. Os vidros agora são tão escuros que nunca sei se estão me olhando ou simplesmente fazendo o natural, me ignorando. Mais um sinal e nem uma moedinha. O calor vai aumentando, minha barriga dá os primeiros sinais de dor, meus braços e pernas cometem alguns vacilos, mas não posso parar o show. Estendo novamente as mãos. Alguém baixa discretamente o vidro e apenas as pontas dos dedos me acenam com algumas moedas. Corro pego, agradeço e faço o sinal da cruz. Começo a ter esperança de que hoje o dia vai ser bom, afinal é véspera de Natal. Todo o mundo fica mais generoso. Quem sabe, com sorte, recebo alguma bola ou roupas usadas, para não sentir tanto frio à noite.
          De repente vejo os carros avançarem o sinal. O som das buzinas é desesperador. Um rapaz corre no meio dos carros com uma bolsa na mão e um revolver na outra. Vem em minha direção. Logo atrás dele um policial com sua arma em punho. Quando vejo o tumultuo tento segurar minhas varetas. Uma cai no chão. Me abaixo para apanhar. É quando escuto um som seco e frio. Foi um tiro. Minhas entranhas parecem queimar. Estou no chão. Começo a não sentir minhas pernas, ouço longe o som de vozes, o freio dos carros. Vou ficando dormente. Só vejo agora, um pouco do céu azul, meus olhos não conseguem fixa-lo, pois a luz do sol é muito intensa. Um rosto de mulher se aproxima de mim. Ela segura minha mão e diz para agüentar firme, a ambulância esta chegando. Aquele rosto me trouxe paz. Fechei os olhos, um silêncio bom foi acontecendo. Pensei:
              Hoje é Natal. Vou poder dormir numa cama macia, com lençol de verdade. Até travesseiro vou ter. Muitas pessoas vão falar comigo, não vou ser ignorado. Uma mesa com muita comida está lá. Quem sabe não tem um peru? Tenho vontade de provar, dizem que é macio. Pela primeira vez começo a acreditar em Papai Noel. Uma árvore de Natal, cheia de bolas coloridas e muitas luzes piscando. Iguais as das vitrines nas lojas. Em baixo muitos presentes, vou poder abrir todos. Sinto uma alegria imensa, como nunca havia sentido antes. Uma voz cheia de amor chama meu nome, João... João... Será que é Papai Noel? Meu Deus, ele existe mesmo!! Vou contar pra todo mundo que tive uma festa de NATAL e conversei com Papai Noel. Um sono forte vai tomando conta de mim... É bom... Tenho que ir... Adeus Papai Noel...

                             IAKISSODARA CAPIBARIBE.



IAKISSODARA CAPIBARIBE
Enviado por IAKISSODARA CAPIBARIBE em 10/11/2006
Código do texto: T287719
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Sobre a autora
IAKISSODARA CAPIBARIBE
Fortaleza - Ceará - Brasil, 49 anos
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IAKISSODARA CAPIBARIBE