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"O SENHOR , E A PROSTITUTA"

Senhor!
É dificil falar...mas pequei.
Pequei e justamente contra ti, a quem tanto me ama; fui tão fraca Senhor, não suportei a provação, não resisti a tentação, perdi a unção, e agora enfrento os aguilhôes.
Olhando de longue, achei lindissimo um vulcão,não resisti, cheguei mais perto da cratera, acreditava que pudesse aproximar-me um pouco mais , e de repente...escorreguei. Agora te pergunto: Quem poderá tirar-me deste caldeirão fervescente, a não ser o Senhor?
Meus amigos , se é que ainda os tenho,afastaram-se de mim, ou melhor, ajuntam-se para discutir a minha desgraça.
Aqueles que comiam no meu prato, hoje mordem meu calcanhar ; outros nem de mim ousam falar.
Um mundo de afrontas caem sobre a minha cabeça, e minhalma sente uma terrivel pressão, até porque a desfeita tem um poder de assolação devastador, e não somente atinge meu ego, mas toda a minha estrutura. Sinto-me numa terrivel situação e num estado de espirito tão critico tal qual a mulher adultera, e retrocedendo-me no tempo, te vejo sentado cabisbaixo e escrevendo na areia, e eu chegando aos trancos e barrancos , esbofeteada,xingada, com minhas vestes esfarrapadas e miseravelmente faminta de apoio.
Diante de ti, sou violentamente jogada no chão, como um pesado fardo; a poeira levantando-se e indo de encontro ao teu rosto.
Meus algozes nem se dão conta deste brutal e descomunal ato praticado a uma indefesa mulher sujeita às paixões da vida - a ninguem acusam,a não ser somente a mim. Chamando-te de mestre,pedem a minha cabeça,enquanto esperam ansiosos a minha triste sina. Com os olhos ainda fechados,mas vendo pela fé ,olho por baixo e contemplo as faces carrancudas e mortiferas dos meus acusadores; todos estão com as palpebras fechadas,e com pesadas pedras nas mãos,outros trazem consigo não somente uma, mas varias pedras; enquanto o Senhor continua escrevendo.
Com as mãos prontas para executar o terrivel ato,e aguardando somente um minimo som da tua voz,ainda tenho tempo para olhar em teus labios e contemplar tua mudês.
Outros já não suportam a espera, e numa explosão de monstrosidade ,chutam-me traiçoeiramente , ansiosos pelo momento da minha execução.Minha mente está confusa e sofre antecipadamente a suprema maldade; entre lágrimas de desespero,oro para que a primeira pedrada não atinja um órgão vital e desfaleça-me ; e neste filme mental, ainda escapo da primeira,da segunda, terceira pedrada...dando tempo para que alguem se dê conta deste indescritivel ato, e de mim se compadeça.
De repente, palavras sábias saem dos teus lábios,palavras inefáveis e de pura compreenção, porem incompreendidas aos ouvidos desumanos.
"QUEM NÃO TIVER PECADO, QUE LHE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA"
Ainda com os olhos fechados, vou abrindo-os lentamente e para minha surpresa, não está mais ao meu redor, nenhum dos meus acusadores. O Senhor continua escrevendo.
Por um momento a tristeza transborda dentro de mim, deixando-me num estado confuso de alegria e de tristeza; de alegria porque foram-se meus acusadores e de tristeza porque me representa que nem o Senhor olha em meu rosto.
Neste instante de perplexidade e recuperando minhas forças,ouso perguntar-te antes que outros algozes possam chegar:
Meus acusadores já foram, posso ir embora? Uma resposta branda e macia como uma pluma, soa em meus ouvidos: " VAI ,MAS NÃO PEQUES MAIS"
Ainda tremula e balbuciando as palavras ,pergunto-te novamente ainda que pó,sou:
Apagarás tu Senhor, as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericordia, e lavarás minha iniquidade, purificando-me do meu pecado?
" VAI , MAS NÃO PEQUES MAIS"




Roosevelt Luiz de Souza Souza
Enviado por Roosevelt Luiz de Souza Souza em 10/11/2006
Reeditado em 07/01/2007
Código do texto: T287907

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Sobre o autor
Roosevelt Luiz de Souza Souza
Osasco - São Paulo - Brasil
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