Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

POMADA ANTI PÉ-NA-BUNDA

Ando sentindo uns sintomas estranhos doutor. Quase sempre acordo com o coração vazio, com uma dor de cabeça latejante, como se dois galhos iguais as da rena do papai Noel estivesse saindo por minhas têmporas. Apareceu uma vermelhidão repentina em formato ortopédico em uma de minhas nádegas. E eu não consigo parar de pensar em uma pessoa que ultimamente tem deixado de atender meus simplórios pedidos e deixado de responder minhas apaixonadas mensagens.
O Doutor responde: - Sintoma de possível pé na bunda.
Sai do consultório perplexa, paguei pela consulta e antes de sair da sala perguntei se havia pomada ou antídoto contra pé na bunda, mas nem quis ouvir a resposta.
Pensei em você. De como o passar dos longos anos ao seu lado tinha consumido aquele namoro ardente, em uma chama azul de fogo baixo como o fogão do meu apartamento, tentando fazer uma nada romântica pipoca. De como nossas fotos tinham perdido brilho, diante da empoeirada lembrança de um namoradinho mais do que apaixonado. Sinto sua falta a cada momento e nela vou conhecendo você melhor, seu jeito de ser está ampliado, seus defeitos parecem mais nítidos, suas qualidades ganharam mais cores e tudo em você ficou mais visível, mostrando até que seu espaço vazio que me revira do avesso e que meu avesso me coloca de frente para você. E mais uma vez vou me enganar, fingindo que te amo às vezes como se não te amasse sempre.
Sabe quando você come um prato de macarrão bem suculento, e satisfeito olha para as demais comidas e não sente mais vontade de devorar nenhuma? Sente duas sensações de satisfação: uma por ter comido até não agüentar mais. E a outra por ter mandando brasa na comida mais perfeita que esperou o final de semana inteiro por ela. Eu sinto falta é disso. De me extasiar de você, de te olhar satisfeita, com a certeza de ter recebi todo o amor que sei que mereço. Não sinto isso com a gente, você sempre estranho, com o olhar perdido em um mundo que não dá pra eu entrar. Um jeitão, que me deixa sem rumo, sem saber o que fazer; que me deixa insegura, idiota; que me faz olhar  para dentro de mim me deparando com um coração cheio de receios, quando deveria mesmo era olhar pra você e me sentir orgulhosa e satisfeita por estar fazendo você feliz, me gabando por ter de retorno um largo sorriso, um carinho nos cabelos. Mas não!!! Você me deixa arrasada com essa mania de fingir que não existo, achando que o fato de me dar aliança de compromisso de ir às vezes na minha casa e quase sempre sair de cara amarrada comigo sem vontade, vai suprir minhas necessidade. Como se meu espírito não fosse movido e motivado por carinho, atenção, elogios e o principal lendário e morto amor. Morto sim, porque, ele nunca existiu, nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. "Pensando bem, não existe morte para o que nunca nasceu."
 
Só queria ser um pouco superficial, te curtir um pouquinho, sem medo de ser tão verdadeira a ponto de ser medíocre por tantas palavras entaladas na garganta, diante do seu humor feito fase da lua que me pega de surpresa, sorrindo e achando graça de tudo e me fazendo desistir de vomitar minha raiva em você, iludida e feliz, acreditando que voltou a ser o que era.
  Quero ser superficial, antes que nossa história vire uma infeliz e odiosa tragédia. Quero fazer você virar herói antes de sair da minha vida, simplesmente porque já cansei de transformar ex namorados em terríveis gigantes cruéis que esmagaram minha paz por um tempo até que apareceu um menino bonzinho e me tirou do vicio igual uma bêbeda de amargura e solidão. Quero ao menos uma vez, contar a história em que tive o prazer embora não pense ser prazer em esmagar um coração chamuscado de doçura e seriedade, um miocárdio que só me deu amor, valor, expectativas e vida. Pensando bem, deve ser um prazer. Afinal todos que entraram em minha vida saíram da mesma forma, gordos de um amor melado e carente à lá Grazielle. E eu sempre saio magra de sentimento, sendo corroída pelo ácido da tristeza, que vai deixando buracos ocos e vazios intensos que me reduzem a moribunda.
Arrependo-me, deveria ter escutado qual era a pomada anti-pé na bunda. A dor e a marca estão imensas,já não consigo sentar e concentrar na mais banal das atividades. Tudo dói, inclusive a quase certeza que vou de ficar sem você.
 
Intenções soltas e desejos desconexos. Esse mistério todo é um atentado violento contra a minha paciência. Sejamos diretos para não sermos idiotas: eu te amo. Você me ama? Ah, não sabe? Então vá para #*%$*&
 
E esse é pouco tudo que falta pra gente
Grazielle Soares
Enviado por Grazielle Soares em 11/11/2006
Reeditado em 13/12/2006
Código do texto: T288265
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Grazielle Soares
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 27 anos
15 textos (3568 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 13:07)
Grazielle Soares