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Meu Papagaio Louro, E Sua Arara


Na minha mais remota infancia, digo, nos meus primeiros sete anos de vida, eu tinha um fiel companheiro, que marcou meus dias com alegria e fidelidade...

"Da´ o pe´ meu Louro"...
e o lindo papagaio vinha pra´ mim com carinho !
Meu Louro era meu bichinho de estimacao desde que eu era bem pequenininha.
Meu Louro foi um presente de Papai e meus irmaos Chico, Paulo e Ditinho .
Creio que veio das matas da minha linda terra natal, a Chan do Pilar, AL. Quando nasci, meus pais eram proprietarios da Chan. Essa foi a historia que me contaram. Tinham uma pequena Hospedaria, posto de gasolina e Restaurante.Mas tarde, Papai venderia tudo isto e nos mudariamos para Cacimbinhas.
"Curupaco, papaco a mulher do macaco..." e o tagarela multi-colorido comecava a soltar o vernaculo... muitas vezes, sem a aprovacao dos adultos, que tentavam calar a ave a todo custo. Para mim era engracado...
"Margo´ lava os pratos, enxuga os pratos, senao eu quebro a colher de pau na tua cabeca..." meu Louro dizia para a empregada, que a principio ficava furiosa(ou fazia de contas) e em seguida se dirigia em rumo ao belo passaro e comecava a cantar com ele: "Papagaio louro,do bico dourado,
leva esta carta meu Louro, pro meu namorado"...

Meu Louro veio comigo quando minha avo´ Dona Maria Alice me trouxe para Fortaleza. Eu tinha entao uns sete anos de idade. "Essa menina precisa de escola boa", diziam os adultos que agora tomavam conta de minha vida. Num piscar de olhos minha vida mudou completamente...lembro-me que chorei quando meu pai nao veio dizer "adeus"...
mamae falou que ele nao estava se sentindo bem, eu disse "entao eu nao posso ir pra´ lugar nenhum, tenho de ficar ao lado dele"... implorei sem resultados, minha avo´, tia e futuro tio (eram noivos) forcadamente me colocaram no jeep e disseram "vamos passear, voce vai gostar muito".
Pra´ falar a verdade, somente vi meu pai mais umas duas vezes depois disto.
Ele veio me visitar e esperou por mim no banco do jardim da casa de minha tia. Quando eu voltei da escola, feliz ao ve-lo achei que era a coisa mais natural do mundo. Nem sequer parei para analisar em minha mente, que ele estava ali apenas para visitar...
mais tarde, aquela noitinha, ele trouxe minha mae e irmaos (estavam hospedados num hotel local). Me disseram que estavam de mudanca para o Rio de Janeiro. Tia Marietta, irma de papai, tinha comprado uma granja para criar galinhas e minha familia iria morar na mesma. Lembro-me vagamente de alguem me haver perguntado se eu queria ir com eles... na minha cabeca as coisas relacionadas com viagens estavam ainda um pouco confusas..."eu tenho uma prova amanha na escola", falei. "Nao posso faltar. E tambem e´ dia de redacao. Eu adoro escrever". Vovo´ entao falou:" Ela vai comigo depois, nas ferias" . Desta vez eu dei um enorme abraco em papai, e disse "adeus Papai".

Nunca cheguei a ir de visita nas ferias, meu pai morreu de um ataque de coracao. Anos mais tarde, ja´ com dez anos de idade, pude ser reunida de volta com minha mae e irmaos mais novos. Durante aqueles anos de ausencia de tudo e de todos, meu Papagaio e Arara eram para mim um elo em em mundo de sonhos... sonhos de uma terra longe e uma familia muito amada. Mas eu sempre tirei notas boas na escola...
Rosalice de Araujo Scherffius
Enviado por Rosalice de Araujo Scherffius em 29/06/2005
Código do texto: T28943
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Sobre a autora
Rosalice de Araujo Scherffius
Estados Unidos
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