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Faz noite negra, mas eu canto: a canção dos jovens, a canção dos pobres, a canção da esperança da gente do meu país.
Faz noite negra.
A lua brilha tão pequena!
Pequenas são as estrelas ao seu redor... mas se toda essa luz se juntasse - que fulgor!
E luz é vida.
E para viver é preciso despertar.
A ao despertar esvai-se a noite. Foi comido por si mesmo o negro pesadelo, o susto desanuviou-se.
Sumiu-se em nada à luz do dia.
Dia virá em que a luz brilhe a todos os olhos e em todos os sorrisos.
Dia de suspiros de alívio
Esse o dia que espero. Venha breve e venha prenhe de paz e de amor, como de sol a pino.
Fujam as manchas bolorentas do destino negro. Bolor na hora de todos os dias de angústia; começa-se e segue-se sofrendo sem que uma réstia de alvorada, de ternura ao menos luza ao fim da jornada desigual da nossa vida.
Uns têm tudo; outros têm nada;
uns na soberba; outros na penúria;
uns os algozes; outros os servos;
uns arrotando e tantos de barriga vazia
Acabem-se os lagos de pranto em que afogamos o silêncio da vida.
Acabe-se o cada-qual-consigo – nunca a nada nos levando,
enquanto cada um não entenda
que é NOSSA a mesmo causa, como é nossa a mesma injustiça

Há que se lutar de mão-dada!



Maria Petronilho
Enviado por Maria Petronilho em 15/11/2006
Código do texto: T292031
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Maria Petronilho
Almada - Setúbal - Portugal, 64 anos
1238 textos (130517 leituras)
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