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Anos de Chumbo, o macaco

Numa pequena cidade da qual não me lembro do nome, que não é Cúriopolis, aonde os militares despontavam de todo o poder. Existia um subtenente muito autoritário por sinal e que se achava um exime marechal.
O subtenente era a autoridade máxima ali presente.

Com todo o seu suposto poder, o subtenente não demorou em ditar certas regras autoritárias inclusive em sua casa. Seus filhos só podiam brincar no máximo um quarto de hora ao dia, só com suas canetas e papeis, e logo após tinham seus afazeres, como escola ,lições e etc. Não existia liberdade naquela casa, como uma repressão.

Numa certa ocasião o subtenente conseguiu comprar um grande macaco para o zoológico de sua cidade. Para uma cidade pequena um macaco daquele representava muito.

Então chegou o dia da estréia do primata e automaticamente da visita do subtenente a o zoológico, então lá estava toda sua família autoritariamente organizada pelo subtenente (mais parecendo um marechal), ele e sua esposa a frete, seus dois filhos organizados um pouco mais atrás e logo depois a empregada. Aquela entrada parecia um desfile do dia da independência. E despertou a atenção de todos ali.
Ao chegar à cela do macaco o subtenente com seu olhar superior começou a observar o animal junto a sua família, já o macaco achou aquela cena um tanto cômica e começou a rir da autoridade a sua frente. Percebendo um clima tenso o macaco parou de rir e pos sua mão sob seu próprio “pênis” e começou a fazer movimentos compassados.

O subtenente logo se sentiu atingido pelo ato do animal, não exitou e pegou sua arma e contra o macaco disparou duas vezes o suficiente para matá-lo. Vendo aquela atitude as autoridades e funcionários ali presentes logo correram e pediram inúmeras desculpas para o subtenente e enaltecerão a culpa do pobre macaco, mesmo assim o subtenente dizia - se culpado, pois acabara ali de destruir uma propriedade do estado assim sendo queria ser julgado de qualquer jeito.

Muito convicto e irredutível o subtenente não mudou sua opinião e quis ser julgado. O governo sem escolha teve que aceitar o pedido e realizar a justiça.
Julgado o subtenente foi obviamente inocentado do seu ato, já todos os animais do zoológico tiveram de se submeter a aulas de comportamento e a uma quarentena, mais parecido com um exílio e o macaco morto foi condenado. Assim sendo teria que ser enterrado em um terreno baldio como qualquer pomba civil. E também seria condenado aquele ousasse jogar uma flor sequer sobre o estúpido primata.

Assim foi a ditadura militar no Brasil.
Bardella
Enviado por Bardella em 17/11/2006
Reeditado em 17/11/2006
Código do texto: T293868

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Sobre o autor
Bardella
São Paulo - São Paulo - Brasil, 30 anos
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