A CIDADE AMANHECEU EM POLVOROSA

Um burburinho misto de curiosidade, revolta e apreensão, pairava.

O rádio, a televisão, internet, jornais, a classe artística... ah, a classe artística!

Adoro esses profissionais. Eles com suas posturas altivas, com suas demonstrações de arte, com seus modos diferentes de se incluírem (ir?)! Parecem dizer o tempo todo: Viu? Ou Veja! Eu sou diferente, eu faço coisas que só eu consigo da maneira que faço! Eu consegui! Eu consigo! Estou conseguindo! Eu sou eu! Eu sou mais eu! Maravilhoso isso! Fico fascinada.

Mas o que eu mais admiro mesmo, separando o “criador da criatura”, me eximindo aqui de comentar a arte, é a busca escancarada que, via de regra, o artista se impõe.

A busca pela plenitude, pela felicidade. Perseguem a arte para satisfação do seu ego, do seu íntimo.

Sem segredo, sem meias verdades, admitindo simplesmente que nasceram para conhecer a felicidade e têm garra para arrancar essa felicidade de suas entranhas e expô-la através de sua arte. Fascínio puro.

Enfim, a classe artística também é unida. Se algum mal incidente acontece com algum deles, a classe se mobiliza. E é por isso que a cidade amanheceu perturbada. Todos envolvidos nesse misto de sentimentos querendo a certeza do que de fato houvera acontecido. De certo, apenas a certeza de que ele estava hospitalizado. O porque, as notícias todas eram ainda incertas.

Nilamaria
Enviado por Nilamaria em 25/05/2011
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