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HOJE É O TEU ÚLTIMO DIA


HOJE É O TEU ÚLTIMO DIA

Hoje é o teu último dia, o que pretende fazer dele?

Vai ficar enfurnada na tua tumba escura de lamúrias e tristezas?

Pense um pouco, para onde você vai?

Seja lá onde for, melhor ou pior que aqui, certamente será outro mundo, com tudo diferente.

Mesmo que tudo lá seja bom, seja ótimo, seja maravilhoso e de nada você tenha saudade deste mundo, as coisas que tem aqui não terá mais.

Então, querida, pense um pouco se vale à pena ficar remoendo coisas ruins, morrendo de preocupação ou tristeza, fúteis arrependimentos, ódios, rancores e falta de perdão.

Você tem cinco sentidos.

São, com já disse em outros textos, nossa janela para o mundo.

Portanto, hoje, no teu último dia...

Cheire, sinta os melhores perfumes, delicie-se nas melhores fragrâncias;

Ouça as músicas que vêm da alma dos compositores e não do estômago, filtre apenas o que é bonito e bem trabalhado, envolva-se na música dos grandes mestres, e despreze as que são feitas pela moda;

Deguste, saboreie, coma, lambuze-se no doce, no salgado, no azedinho, coma hoje aquilo que mais te satisfaz;

Veja, veja aquilo que é bom de ver, e ignore o mal, no teu último dia não é bom ver a miséria que nos assola, vá ao museu, vá à exposição, folheie aquele velho álbum de fotografia, ou olhe muito para os olhos de uma criança;

Sinta, tateie, afague, acaricie, pegue, morda, lamba, permita-se ao prazer intenso do teu tato em todas as partes externas e internas do teu corpo, sinta o macio, o áspero, o quente, o frio, o morno, o liso, o rústico, o peludo, o raspado, o duro, o mole, o craquelado, o sólido, o líquido, o gasoso, o viscoso, o crocante, o cremoso, o gelado, o metal, a madeira, o plástico, a terra, a grama, enfim, sinta todas as sensações que puder dentro dessas poucas horas que você tem, entregue-se a um outro corpo sem pudores e vibre no mais devasso dos orgasmos.

E se você acordar amanhã?

Vai sabe que hoje não foi teu último dia, mas pode ser amanhã, então repita tudo que fez hoje.

E se você acordar depois de amanhã?

Depois de amanhã pode ser o teu último dia, repita tudo.

E depois?

Novamente.

E se daqui a noventa anos você ainda estiver viva e nenhum desses dias foi o teu último dia?

Então você terá certeza de que viveu in-ten-sa-men-te!

E de nada teve falta, e pode partir a qualquer momento sabendo que foi feliz e viveu de verdade.
Danilo Macedo Marques
Enviado por Danilo Macedo Marques em 29/11/2006
Código do texto: T304577

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Sobre o autor
Danilo Macedo Marques
São Paulo - São Paulo - Brasil, 42 anos
59 textos (11369 leituras)
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3 e-livros (1731 leituras)
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