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FRAGMENTOS GEOGRÁFICOS

“Estão todos aí?” (PAUSA) “Estão todos aí?”.

A voz ecoa quase sem resposta. Microfonia. Silêncio.
“Preparem-se para a cerimônia”.

(RIDERS ON THE STORM COMEÇA A TOCAR AO FUNDO)

Sou embalado pelo negrume da noite aflita que arde & queima / delimita minha pressa. Que chuva é essa que cai lenta? E os passos no escuro? Me acorde antes que seja tarde.

“Dêem as mãos, reinventemos os ritos & os mitos da morte / escrevamos uma nova história começando pelo fim”. This is the end.

Esse meu rosto barroco / sem nação / coração sem fronteira / longa trajetória de um tuareg / sou guiado pela certeza de que nada sei. No instante seguinte fragmento-me até o limite da palavra. Limite. Que filme é esse, sem cor, sem som?
 
“Lamentas pelo que ainda não tens? Pelo que ainda não vistes? Por tudo o que ainda não és?”

A platéia conivente sorri de tudo ou sempre quase tudo / jogando moedas como pagas ao espetáculo. Sinto-me como animal em cativeiro. Sinto e sei. Nunca mais vou olhar em seus olhos outra vez. Consegue imaginar como será tão sem limites e livre, desesperadamente precisando da mão de algum estranho?

“Dêem-se as mãos. Sintam a música & o cheiro de sexo que há nela, no corpo & na dança do corpo a verdadeira catarse.”

Poesia é lixo de luxo num mundo obcecado por formas & custo / leitura instantânea para massas de baixo impacto, condicionadas a só dizer sim.

“Quando rires, é do próprio ridículo, quando chorares é da própria covardia, quando partires não sobrará nada, vezes nada. Exatamente o que és dentro de todo & qualquer contexto: subtexto de tudo o quanto combato”.

(A MÚSICA PÁRA)

O assassino acordou antes do amanhecer. Calçou suas botas, Pegou um rosto na antiga galeria.

E seguiu pelo corredor.

“Estão todos aí?”

“A cerimônia vai começar”



wallace puosso / mar 06



Jim? Matrizes sem xilogravura. A dor é forte, o amor mata, Deus não existe. Talvez haja cura pra mesmice.
Jim, eis teu espelho. Sorria:

Nietzsche, Van Gogh, Rimbaud, Baudelaire, Poe, Blake, Artaud, Cocteau, Nijinsky, Byron, Coleridge, Dylan Thomas, Brendan Behan, Jack Kerouac, os que viveram a vida de maneira intensa.  Loucos, escritores, poetas e pintores, artistas marginais resistentes à autoridade e insistentes em ser leais a sua verdadeira natureza, a todo o custo, estava a linhagem com quem Jim se identificava o mais apaixonadamente, e esse era o padrão que ele aspirava. Para ser um poeta, para ser um artista, significou mais do que a escrita ou a pintura ou cantar;  significou ter uma visão e a coragem vivenciar completamente essa visão, apesar de toda a oposição.

O que não mata você, o faz mais forte.



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Wallace Puosso
Enviado por Wallace Puosso em 30/11/2006
Reeditado em 13/04/2009
Código do texto: T305722

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Sobre o autor
Wallace Puosso
São José dos Campos - São Paulo - Brasil
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Wallace Puosso