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O CÓDIGO DO AMOR

Estava pensando em que escrever e, de repente, me cai nas mãos um texto de um psicanalista chamado Wilson Meiler, cujo título é O nó do afeto e outros nós. Talvez fosse sobre isso mesmo que eu precisava escrever, ou talvez muitas pessoas precisassem ler. Não sei que forças me levaram a escrever sobre esse assunto, mas ele conta sobre um texto que leu que dizia o seguinte:

Um pai trabalhava muito, porém nas suas horas de folga, dava uma atenção extraordinária ao filho. Brincava, passeava e se tornava uma verdadeira criança em companhia do filho. Mas como trabalhava muito, passava dias sem ver o filho. Pela manhã saía e a criança estava dormindo. Quando chegava à noite, o filho já tinha se deitado. Conclusão, eram poucas as horas que o pai podia demonstrar carinho pelo filho. Então ele teve uma idéia. Quando chegava de noite, entrava no quarto do filho, orava pelo filho, conversava com ele ou apenas lhe dava um beijo. E, quando saía, dava um nó na ponta do lençol. Assim quando a criança acordasse, saberia que o pai esteve ali junto dele. Nenhum dos dois nunca comentaram sobre este código. Um dia, o filho já adulto, comentou com o pai que o que mais ele esperava de sua vida, era encontrar os nós no lençol.

Por esse texto, vemos que o verdadeiro amor não necessita da presença constante. A presença física pode ser somente uma coadjuvante na demonstração de carinho. A necessidade de ter a pessoa amada ao lado o tempo todo, pode não ser o real amor e sim uma grande paixão. O amor dá liberdade para que suas vidas possam seguir separadamente, porém os bons momentos ficam marcados, fazendo com isso que, quando se lembre da pessoa amada, ou quando se depare com códigos estabelecidos entre os parceiros, volte a renascer a presença do sentimento que os une. E isso já é motivo bastante de preenchimento, fazendo com que quem ama realmente, nunca se sinta só.

Mas o amor ou a expressão de carinho, também necessita de criatividade. Encontrar formas só suas de demonstrar amor é preponderante. Isso faz demonstrar sua individualidade e cria um código único entre as pessoas que se amam.

Há diferentes formas de demonstrar amor. E a demonstração do amor está longe do ciúmes, está longe da posse e está longe da carência com sua conseqüente cobrança. O verdadeiro amor dá a liberdade de cada um ser como é, e mesmo assim inseparáveis.

Qual é o seu código de amor? Ainda não tem? Tenho certeza que, lá no fundo, somente seu jeito de ser, já te codifica. Mas se precisar de códigos extras, o próprio amor lhe dará criatividade para concebê-los.

Mas a demonstração do verdadeiro amor pode não ter código. Pode ser simplesmente o amar. E nesse sentimento, automaticamente encontramos formas de expressá-lo. O verdadeiro amor não se guarda dentro do peito. Ele se debate. Ele nos faz tomar atitudes, ou nos faz ter expressões que demonstram todo o afeto que sentimos.

O importante é que, codificado ou não, o verdadeiro amor sempre dá um jeito de sair do peito, fazendo com que a união, mesmo que só em pensamento, ocorra.

Alma Collins
Enviado por Alma Collins em 03/12/2006
Código do texto: T308070
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Sobre a autora
Alma Collins
São Paulo - São Paulo - Brasil, 56 anos
166 textos (38613 leituras)
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Alma Collins