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Exilados do Lar

A velhice entre as famílias tradicionais italianas sempre foi respeitada, nas colônias, fazendas e nos centros urbanos os imigrantes sempre conservaram os mais velhos dentro do seio familiar.
Entre todas as etnias, o respeito aos mais velhos sempre esteve intimamente ligado à vida da comunidade, não apenas como uma tradição, sim uma deferência, consideração para com eles. Nas tribos africanas, por exemplo, as crianças não podiam nem pisar na sombra das pessoas mais velhas, porque isso caracterizava desrespeito, os mais velhos sempre tiveram um lugar de destaque entre o seu povo.
Pode parecer exagero para os dias de hoje, no entanto, vemos muito mais que pisadas na sombra, no meio em que vivemos; vemos pisadas morais, desrespeito a honra e à dignidade em relação aos nossos idosos.
 Quando a idade avançada, a velhice chega para os nossos pais, muito antes dela vir, já estamos com os pensamentos e sentimentos mais velhos ainda. Porque a idéia arcaica que se desenvolve a respeito dos idosos, não  leva em consideração os longos anos daqueles que viveram para nos manter, educar e orientar para o mundo.
Quando se é pai ou mãe, deixa-se, de certa forma, de viver para si mesmo, e passando a viver em função dos filhos.
Entretanto, nem sempre os filhos viverão em função dos pais.
É fato que alguns preferem ficar num asilo, a ter que conviver com a idéia de que em casa, eles representam um “peso” para os filhos, que estão sendo demais ou sobrando. Mas a maioria dos assistidos, nos asilos do mundo, lá encontram-se, saudosos dos seus filhos, que durante meses ou então, um, dois ou quatro anos nunca foram visitá-los.
Estes, pode-se dizer, que são os exilados do lar. Mas nesse exílio, dentro de um asilo, é notório que em alguns aspectos eles sejam bem mais cuidados do que em casa, sem contar que dispõem de companheiros na mesma faixa etária e com problemas comuns, sobre os quais possam travar conversação e trocar experiências de vida.
Muito embora recebam a visita de estranhos, esses mesmos estranhos quando são frequentes, tornam como se fossem seus filhos, porque quando se é relegado ao abandono, adota-se os de fora da família para serem filhos do coração e o sentimento é recíproco.
Como já mencionado, muitos dos exilados ou asilados recebem os devidos cuidados e preocupações pertinentes à sua idade, porque há um outro ângulo a examinar; de vez que nem sempre os filhos podem lhes dispensar a devida atenção, como desejariam, principalmente quando precisam trabalhar fora e quando o idoso inspira maiores cuidados de saúde.
O que fazer nessas circunstâncias? Contratar alguém para assisti-lo em período integral ou colocá-lo numa casa de repouso para que possa receber os cuidados necessários? Mas isso não significa que o tenha abandonado!
 Na primeira hipótese, é necessário que haja condições financeiras para as despesas com um cuidador de idosos, e essa possibilidade esbarra na realidade econômica da maioria dos lares brasileiros, sendo a segunda hipótese ou opção a mais acessível a esta realidade sócio econômica.
É o caso típico de uma senhora que fora internada em um desses asilos, era somente ela e o filho, esse por sua vez precisava trabalhar, não podia ficar em casa cuidando da mãe.
Ela já havia sofrido um AVC - Acidente Vascular Cerebral - e como ele poderia pagar alguém para que cuidasse dela em casa, com período integral?
A solução foi hospedá-la num lar para idosos, mas nem por isso deixara-a ao abandono. Ele, o filho, visitava-a todos os fins de semana e via-se em suas atitudes o carinho e cuidado que tinha por ela.
Portanto, existem aqueles que exilam os idosos do seio familiar para que não incomodem , livram-se deles como quem dispensa um objeto sem mais utilidade. Se esquecem, porém, que os idosos quando tinham a idade deles, tudo fizeram e fariam para que jamais ficassem desamparados, tão pouco os tratava como um peso em suas vidas.
                                                                 
Valdemir Barbosa
Enviado por Valdemir Barbosa em 11/08/2011
Reeditado em 11/08/2011
Código do texto: T3152718

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Sobre o autor
Valdemir Barbosa
Maringá - Paraná - Brasil
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