EDUCAÇÃO FINANCEIRA

O Banco Central mudou as regras do uso dos cartões de crédito* a fim de regular o que considera um mau uso por parte de algumas pessoas. Devem ser muitas, senão não seria necessário. Um dos motivos que levo em consideração aqui é a alegada tentativa de evitar o aumento do endividamento das famílias.

Já falei em outra oportunidade que me considero um homem financiado. Nasci devendo, vivo na pendura e espero pelo menos deixar algum saldo positivo para as minhas exéquias. Afinal, quem ficar não terá a obrigação de pagar eventuais dívidas que eu fizer por e para mim mesmo. O que a gente aprende de limites que a vida impõe nem sempre leva em consideração o que diz respeito a gastos. Educação financeira quase nunca é assunto tratado entre pais e filhos nem escola. Seja pela total falta do que educar por parte de quem não possui o essencial ou sobras, seja por quem possui em excesso e não se importa com as conseqüências de seus gastos.

Como sempre estamos em busca de equilíbrios variados, o meio termo com o dinheiro é fundamental. Minha mãe era exemplo de parcimônia. Já o meu pai o perdularismo em pessoa. Não pude receber essa parte importante do ensinamento. Sim, a grana era muito curta e não lhes sobrava preocupação nem tempo quanto ao ensinamento aos filhos. A responsabilidade geral que aprendi, no entanto, me fez ter uma relação com o dinheiro que me permitiu não ir aos céus quando tinha fartura nem ir à lona nas épocas de vacas magras. E na medida em que iam aumentando as responsabilidades com a minha própria prole, a busca pelo equilíbrio financeiro foi ainda mais uma constante. Isso, no entanto, se deu de forma por vezes traumática. Outras, eufórica. E sempre, sempre, sempre me fazendo trabalhar feito o cavalo Sansão** para não deixar escorregar de minhas mãos o leite das crianças.

A tentação para o gasto nessa sociedade que tem um olho no dispêndio e outro no consumo é infinitas vezes superior ao poder de gastar para quem quer que seja. O mundo pertence ao dinheiro e a ele dedicamos reverências, louvação e submissão. Pelo menos é o que está nas linhas, entrelinhas e cadernos inteiros de todas as matérias que nos ensinam durante a nossa jornada diária. A máxima que vigora disfarçada é: ter ou não ter, eis a precisão.

**Sansão = cavalo, personagem do livro A REVOLUÇAO DOS BICHOS. Sua frase-lema era: "Preciso trabalhar mais"

* http://www.ojornalnet.com.br/2011/05/novas-regras-para-os-cartoes-de-credito-passam-a-valer-nesta-quarta-feira/

josé cláudio Cacá
Enviado por josé cláudio Cacá em 11/08/2011
Código do texto: T3152896
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