O PORTA RETRATO
 
 
Houve um tempo em que ele presenciara a felicidade. Repleto de fotos e de vida. Tudo nele resplandecia... Espalhava um perfume de sedução pela sala, invadia o quarto – o palco onde se encenara o último ato daquela peça. A tudo assistira em silêncio, ostentando o sorriso daquele retrato, como testemunha de um tempo em que não havia lágrimas.
 
Houve um tempo de sonhos. Impossíveis, é verdade, mas ele acreditava que um dia tomaria forma - a forma de realidade. Ah! Como sonhara... Então ele deixaria de ser um mero objeto de decoração em cima da cristaleira (onde ocupava um papel de destaque), envelhecida pelo tempo de espera e que iria participar novamente do esplendor daquela casa.
 
Houve um tempo em que aquela fotografia sorria abraçada pelo cercado retangular de seus braços. Houve um tempo em que se esquecera de que era mero coadjuvante daquela cena. O de simples apoio para a felicidade que ali vivia... Mas, até aquele sorriso se apagara.
 
Houve um tempo! Hoje, ele jaz esquecido no fundo de uma gaveta, escondido dos olhos de quem quase morreu de amor.
 
 



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PORTA RETRATO
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