O  velho  Chico




 
 
                        Este título aí em cima da minha crônica,  sei que vai atrair os meus bons amigos mineiros.  Mas não vou tratar do velho Chico, o nosso amado rio genuinamente  nacional, que nasce lá na serra da Canastra, onde vive a grande Maria Mineira. Isso mesmo, aquela dos “causos” e contos mineiros, que encanta a todos nós.  
                        Por incrível que pareça, vou falar do Chico Buarque. Confesso que nunca morri de amores pelo seu canto. Como compositor, como  inteligência, sem dúvida, rendo minhas homenagens.
                        Mas o meu espanto é outro.  E fico todo animado! O “velho” Chico Buarque, no alto dos seus 67 anos voltou a amar. Separado há alguns anos da grande atriz Marieta Severo, o compositor entra numa fase de novo amor. Na reportagem,  li, entendi, ou foi insinuado,  que a moça pode ser uma magrela que gosta de andar de bicicleta.
                        O novo CD do Chico fala da Lapa, de samba, de partido alto, das músicas gostosas do meu tempo e do tempo dele, naturalmente. Somos mais ou menos contemporâneos .  A reportagem que acabei de ler fala na alegria dele. Pudera, não é pra menos. Não tem coisa melhor que amar. A gente sente de cara uma revigorada no corpo fantástica!  É como se tivesse tomando um banho gostoso de água fria, num   verão ardente.
                        As cores da natureza ficam mais vivas, mais fortes. De repente, a vida fica bonita demais. Tudo é belo. E começamos a conversar poeticamente.     
                        Tudo fica rimado e entramos num ritmo delicioso.
                        Ah!  que saudades da velha Lapa, dançando, rosto colado, naqueles bares boêmios. Começo a sonhar!  Final da tarde, aquele banho caprichado, pensando na minha “magrela”.  Lá pelas dez da noite, escolhendo o lugar para ir. Afinal, decido ir para a Casa D’África, na rua André Cavalcanti, extensão da Lapa. Lá, dança-se um samba africano maravilhoso, o gingado é ainda mais sensual. Terminamos a noite daquele jeito. O leitor já deve estar imaginando. Nessa hora, a música é do Roberto Carlos. É a hora de cavalgar na noite...  Com ela, naturalmente...  Bem agarrado aos cabelos dela...                 
                        Com certeza, ama-se  com qualquer idade. Sabem a razão?  Porque o amor quem sente é o nosso espírito, a nossa alma. E alma , graças a Deus, não tem idade.
                        Ainda bem, podemos amar sempre e novamente. Começo a olhar em volta e já enxerguei uma magrela especial. E ela está sorrindo para mim.
                        O que eu poderia dizer pra ela, pra início de conversa?  Falar que o amor não tem hora pra chegar?   Que chegando cedo ou tarde é sempre o velho amor, com todo o seu encanto, sua magia, sua sedução ?  E dizer  que esse amor faz um bem danado, que dá saúde?
                        Claro  que tudo isso é verdade. Pensando na minha magrela bonita demais, pra adiantar o expediente,  já vou tratar de tomar aquele banho de ducha fria.
                        Depois eu pergunto se ela aceita uma esticada no samba carioca. Meu bom leitor, seja camarada, você acha que vou me dar bem?
 
Gdantas