USP -Invasão da Reitoria por estudantes :Uma rebelião sem causa ?

Não resta dúvida que a Universidade Estadual de São Paulo – USP é uma instituição de reconhecida nacional e internacionalmente na área educacional e na pesquisa em diversas áreas, há mais de oito décadas. Ela atrai estudantes de todo o país e do mundo, não somente por ser gratuita, mas pelo seu prestígio e de sua história.

Muitos dos líderes profissionais passaram por ela , suas pesquisas científicas ajudaram na tecnologia e sua participação durante a Ditadura também aumentaram sua tradição.

Durante a Ditadura brasileira ocorreram manifestações estudantis, principalmente iniciadas na Av. Maria Antônia, na capital paulista em 1968 e seguintes, quando ter um livro do ‘O Capital’ de Karl Marx entre os braços, seria um pretexto de ser preso pelos agentes do DOPS.

Quantos professores e alunos das faculdades, principalmente de Filosofia, História e Ciências Sociais desapareceram sem deixar vestígio? Isso ocorreu também em outras universidades e faculdades.

A luta dos estudantes era pela liberdade de expressão, de ir e vir e de cidadania. Era uma rebelião intelectual. Havia outros manifestantes e luta armada por algumas minorias, todos contra o regime cada vez mais fechado e violento.

Uma das instituições criadas no regime ditatorial foi a Polícia Militar, que não atuava no espaço da Cidade Universitária , por exigência da própria instituição da USP, por ser um traço da ex-ditadura, que se extinguiu oficialmente depois do presidente Figueiredo, último representante militar no Executivo, 1984, quando houve a eleição indireta do civil Tancredo Neves, falecido e substituído por José Sarney e a continuação pela liberdade e economia do País.

A Política Militar ficou ausente do Campus da USP até que começaram a aparecer casos estupro, violência e até homicídio no local, entre as vítimas estudantes da universidade e houve a volta da rota, em 2011 no espaço, em que por anos, era ausente no local, a pedido de freqüentadores da USP, entre os quais também os próprios estudantes.

Em outubro de 2011 os noticiários destacam a revolta de alguns estudantes contra esta inclusão de segurança no Campus e inclusive a ocupação da Reitoria da maior universidade do País pelos estudantes revoltosos. Motivo: três dos estudantes foram pegos fumando maconha nos jardins da USP. A revolta é discutida, pois o motivo é torpe e individualista: não querem que sejam barrados quando usam os entorpecentes ilegais, como se no local pudessem fazer o que quiserem. Esses estudantes estão manchando a reputação da USP com justificativas muito pessoais e sem o consenso da maioria.

Temos que saber que viver em sociedade exige regras, senão vira anarquia. No entanto, esse jovens não sabem respeitar a liberdade, e o espaço meu começa quando inicia do outro. Está havendo um equívoco de fóco. Esses estudantes deverão arcar com a responsabilidade do que fizeram e não se escondam atrás de rostos cobertos, parecendo marginais da sociedade.

Caso contrário, parecerão mimados e deveriam assumir seus erros e serem um exemplo para o futuro. Como vai terminar isso?

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Regina Kalman ( Socióloga formada pela Escola de Sociologia e Política da USP).

Jundiaí, 05/11/2011.