ACARICIANDO



De São Luis (MA) a Parnaíba (PI), percorre-se uma longa estrada ladeada por verdes campos repletos de palmeiras e coqueiros enfileirados, além de outras árvores frondosas e de igual porte, sobre montes e encostas. O vento exala a mata verde, sopra os arrozais, arrepia o pasto na planície onde o gado passeia entre canaviais. Mas o que predomina em milhares de equitares margeando o asfalto é a vastidão da soja plantada pelos sulistas. Tudo se alastra na imensidão até onde a visão alcança. Pedras, grutas, rios e riachos, pontes, passam rapidamente, perdem-se na distância.

A Mitsubishi ia a 100, a 120. Meu amigo João Bezerra é quem a dirigia. Químico, sabe lidar com misturas até nos gêneros musicais. Nunca ouvi tantas raridades. Ele colocava os CDs, olhava pra mim e dizia: “Curte esta aqui”. Foi assim até o fim da viagem. Tomávamos café, água, parávamos para aquela mijadinha básica e prosseguíamos. Piadas picantes, gargalhadas, tudo para espantar o sono. A caminhonete avançando. Uma antiga estrada de ferro e eu pedi para vê-la melhor. Dezenas de vagões parados ali. Eu me encantei com tudo aquilo. A música em alto e bom som. Uma delas ficou aqui na minha memória musical. Um choro de Abel Ferreira, cuja gravação vai até a metade com o conjunto regional e depois entra uma voz feminina extraordinária.

É Ademilde Fonseca, a rainha do choro - disse meu amigo. E falou que ela cantava um número incalculável de palavras por segundo. Uma das figuras mais ilustres do Rio Grande do Norte. Morreu no dia 28 de março deste ano.

Fiquei impressionado, pela voz, pela música, pela beleza da letra. Lembrei-me do Clube do Choro, em Brasília.

Chegamos a Parnaíba. Fomos até Luis Correia, a 17 km. Lá o mar é lindo. E eu entrei nas suas águas verdes e senti as ondas mornas me acariciando.
_______________________

Ouça>

http://www.mandamusica.net/ademilde-fonseca-acariciando.html

ACARICIANDO

(Abel Ferreira).

Sim, eu vivo a esperar por teu amor,
Como o dia espera o sol,
E a noite dos sonhos espera o luar,
Eu sei que sem ti não sei viver,
És razão do meu padecer,
Mas eu preciso te ver, te falar, te ouvir,
Te beijar, te querer,
Depressa me traz o teu amor,
Vem amenizar a dor.
Se alguém te disser que me ouviu,
Suspirando de amor,
E me viu junto ao mar, soluçando sozinha,
Mentiu, nesta mágoa que é minha.
Eu não posso estar só,
Vives longe sem dó,
Mas estás junto a mim.
Amor, eu bem sei que também,
Sentes falta de mim,
E que sofres assim,
E me tens na lembrança,
Amor, vem viver a esperança,
Não devemos ficar,
Longe acariciando desejos iguais.



LordHermilioWerther
Enviado por LordHermilioWerther em 30/04/2012
Reeditado em 10/05/2012
Código do texto: T3641403
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2012. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.