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Dia de festa

Festa de rua: aqui onde moro, significa um monte de gente se espremendo, bebendo, dançando ao som de músicas recheadas de duplo sentido (costumam chamar esse tipo de música de brega, mas ainda tenho minhas dúvidas quanto a essa classificação)... Sinceramente, nunca fui fã dessas festas, nunca fui fã de aglomerações. Não lembro se já fui a festas assim, e se fui, não lembro quando. Mas em momentos em que o ócio insiste em querer tomar conta de mim, a festa que estava acontecendo aqui perto da minha casa pareceu uma luz no fim do túnel.

Não, eu não fui para o meio do povão. A convite de uma prima, fiquei na varanda de casa, observando as pessoas que passavam rumo ao local da festa. Eu poderia me trancar no quarto com um livro, ouvir música, ver televisão, mas o instinto de curiosidade foi mais forte e eu fiquei na varanda, observando quem estava na rua.

Se eu estivesse ali sozinha, talvez não visse tanta graça nos tipos que apareciam. Os comentários da minha companheira de observação fizeram toda a diferença. Nada escapava: roupas, cabelos, um pedaço de conversa que conseguíamos ouvir de onde estávamos, tudo virava assunto para nós. Mas uma coisa nos indignou: havia crianças sendo levadas para a festa. Como é que levam crianças para lugares, assim, onde há todo tipo de gente, onde pode ter uma confusão, ou, na pior das hipóteses, uma morte? Elas esquecem que muitas pessoas perdem a razão quando bebem e partem para a briga, podendo até atingir alguém inocente? O que as mães dessas crianças têm na cabeça? Vento?

Teve uma hora que o movimento diminuiu e resolvemos voltar para dentro de casa. Dormíamos enquanto aqueles que foram nosso alvo de observação se divertiam. Antes de pegar no sono, fiquei pensando na incrível capacidade que todas as pessoas têm de esquecer da própria vida por alguns instantes, só para ter o prazer de se alimentar da vida alheia. E não adianta criticar, no fundo todos têm a necessidade de invadir um pouco o mundo do outro, saber das suas conquistas e suas desgraças, como se isso fosse nos deixar melhores com nossas próprias vidas...
Evana Ribeiro
Enviado por Evana Ribeiro em 24/07/2005
Código do texto: T37295

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Sobre a autora
Evana Ribeiro
Cabo de Santo Agostinho - Pernambuco - Brasil, 28 anos
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Evana Ribeiro