MULHERES...

Mulher é como andorinha...
...fica, enquanto houver verão...
Ao primeiro sinal, no entanto, de frio, foge em busca de calor...
Não lhe basta ter quente apenas o corpo. Quer aquecer, também, o coração...
O amor para a mulher, é meio, é fim. Tanto quanto íntimo, tem que ser exteriorizado, marcado, gravado. Se possível, a ferro e fogo. Tem que chamar atenção. Ser pleno de palavras bonitas, de elogios, de insinuações. Só assim, ela vibra com o sentimento (mesmo platônico) que a transforma em santa, que a coloca num pedestal. Mas, isso só, não basta. Quer mais. Precisa de mais. Como uma fruta madura, deseja ser apalpada, cheirada, desejada, sugada. Quer isto, para materializar, para reafirmar, sua identidade com seu próprio sexo...
Há de ser sempre assim...
Essa andorinha, de repente, aparece saída sabe-se lá de que perdida nuvem ou de que incerto céu, e sem pedir licença, faz seu ninho em nossos braços. O truque consiste em esperar que a gente se distraia ou, por um momento, vacile, seja fraco. Ao abrirmos os olhos, lá estará ela. Colada em nosso corpo, derramando mel pelos lábios, espargindo perfume por todos os seus poros...
Assim sempre foi...
Apegar-se a ela, é ser condenado à névoa de um amanhã incerto...
Jamais saberemos se ao despertarmos de nossas fantasias, ela ainda estará ao nosso lado, roubando nosso espaço, dividindo nosso ar, alimentando-se, pouco a pouco, dos nossos corpos, absorvendo o calor de nosso hálito...
Carente, chega em busca da proteção de nosso peito. Da chama de nosso sexo. Da tepidez de nossa cama...
Assim sempre será...
Saciada, sarada, sadia, ao primeiro sinal de qualquer um incerto inverno, parte, foge, se vai. Enfim, nos deixa só. Para nunca mais voltar...
É andorinha...
É mulher...
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