C h a p l i n
Jorge Luiz da Silva Alves




      A genialidade é uma demonstração de força. Ela resiste, viril e impetuosa, à mais abjeta miséria das crianças vitorianamente massacradas pelo vendaval burguês das novidades industriais; da humilhação dos adultos pelo despencar das toneladas de títulos podres de mil cracks novaiorquinos; das perseguições macartistas de tantos burocratas poderosos atrás de férreas cortinas ideológicas;  das mariposas faiscantes que oferecem úteros nas coxias pelo neón dos lucrativos palcos. A genialidade é uma demonstração de força que sobrevive até mesmo à lógica ensurdecedora das imagens faladas e animadas por zilhões de efeitos especiais e computações gráficas. A genialidade – essa maravilhosa arma que aniquila a natureza e sobrepõe-se às multidões de ordinárias existências – dispõe de um único e desconhecido  dispositivo de acionamento, é de propriedade inalienável de apenas um entre milhões de unidades-carbono(*), aparece de quando em quando sobre a face da terra sob as mais bisonhas e extravagantes aparências...e tem a irritante qualidade de jamais ser esquecida...seja numa alpercata furada ou num chapéu-coco ou num bigode-de-broxa. Ou em penetrantes olhos, que cativam e nos inundam a alma com um estelar luzir, apanágio de toda genialidade. 

(*) - neologismo: ser humano.

http://www.jorgeluiz.prosaeverso.net



Jorge Luiz da Silva Alves
Enviado por Jorge Luiz da Silva Alves em 19/11/2012
Código do texto: T3993253
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