OBSERVATÓRIO

O banco embaixo da árvore era o observatório ideal. A cidade descortinava-se aos seus pés. De onde estava ninguém o via. E assim passava os seus dias. Tudo via, a todos via e de tudo sabia. Mas ninguém o via, nem perguntava o que observava. O silêncio era total. Até os pássaros também pareciam observadores mudos.
Os galhos das árvores proporcionavam sombra e brisa fresca suficiente para que a vida fosse boa.
Seu olhar tristonho tocaria o coração de muitos, mas ele preferia o seu isolamento.
Cansara-se da convivência difícil com determinadas pessoas. E como não podia separá-las do seu mundo, preferiu o afastamento.
Todos os dias, caminhava em direção ao ponto mais do alto e sentava-se naquele banco e lá passava boas horas.
O seu tempo de aposentadoria chegou e ele não pensou que fosse tão doloroso deixar os seus afazeres. Mas agora era preciso adaptar-se ao novo estilo de vida e se organizar antes de começar nova trajetória.
Sua mente inquieta não o permitia ficar sem fazer nada.
Após uns dias de observação, começou a notar as particularidades do ser humano, suas manias e gostos. Esses detalhes passaram a chamar-lhe atenção mais que tudo.
Resolveu, então, pegar um caderno e uma caneta e passou a registrar tudo o que via e interessava.
Os seus dias ganharam novo rumo, pois alternava a observação e anotação com o compilar dos dados no computador, ao mesmo tempo que também registrava o tempo, o clima, as paisagens e tudo mais.
Nasceu, assim, um grande escritor.

Estrela Radiante
"imagem do Google"
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Regina Madeira
Enviado por Regina Madeira em 28/01/2013
Código do texto: T4110220
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