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Quero voltar aos meus Dezesseis

“Como o destino coloca pessoas singulares em nossas vidas”.  Esse foi o pensamento que há dois ou três dias rondou minha cabeça por muitas horas depois de ter conversado com uma pessoa que, no alto dos seus 16 anos, me ensinou muitas lições.
 
Saindo de mais um dia produtivo de curso, fui até o ponto de ônibus andando por aproximadamente 30 minutos em companhia de um colega com o qual a rotina e a correria das atividades em sala nunca tinham me deixado conversar mais do que cinco minutos. Nesse dia, ao fim da aula, algumas pessoas contaram episódios tristes de suas vidas e se emocionaram ao narrar esses fatos, deixando no ar um clima de confiança – por compartilhar as suas histórias – e também um clima de comoção.
 
Andando e conversando, esse rapaz que durante as confidências da aula ficou o tempo todo calado e que alguns chamariam de guri ou até mesmo de mais um adolescente inconsequente, me contou coisas que me deixaram envergonhado de mim mesmo, pela superestimação que às vezes costumo fazer dos meus problemas.
 
Começou me dizendo que, apesar da organização familiar diferente e dos problemas de saúde que teve durante a infância, preferia e ainda prefere se prender aos fatos felizes desse período, como as horas que passava brincando com os amigos em cima da lage simulando com os dedos a disputa de armas que acontece no game GTA. Ele me detalhou o que aconteceu nesse período e afirmo que o seu problema de saúde (agora superado) e a forma como sua família era organizada limitaria, ou se esperaria que limitasse, que uma criança tivesse um discurso tão bonito e também uma visão tão positiva sobre a vida e as pessoas.
 
Surpreendeu-me os fatos que ele me contou de sua vida, onde morava e um pouco de sua história e, mais do que isso, me deixou impressionado a total falta de “coitadismo” no seu discurso, que era tão tranquilo que prenderia qualquer pessoa que parasse para ouvir. Conheço pessoas, até bem próximas, que não tiveram um décimo dos problemas que esse menino teve e se acham mártires e julgam-se perseguidas e conspiradas pelo mundo inteiro.
 
A vida tem dessas surpresas e sempre nos ensina através das pessoas. Jamais achei que fosse encontrar em um guri – no bom sentido da palavra – tanto aprendizado e maturidade imersos em um mar de histórias que legitimariam o fato de não sê-lo. Virei fã desse antes colega, e que agora espero que seja mais um amigo.
 
Não fosse o meu vício pela ética eu gostaria de poder dizer o nome desse guri, não para expor, mas para ressaltar o quanto é admirável a forma como encara a vida. Buscando preservar a pessoa, omiti todos os detalhes e peço que, se pistas deixei, que nada seja dito ou discutido para além desse texto.
 
Encontrar pessoas assim é tão raro que fatos como esses merecem e são dignos de nota sempre que acontecem. Se vocês soubessem do que sei parariam de reclamar do mundo porque uma espinha apareceu na sua testa no alto dos seus vinte ou trinta anos.
 
Valeu destino pelos trinta minutos de ensinamentos intensos sobre como viver que me deu essa semana.
uiliam santana
Enviado por uiliam santana em 01/03/2013
Código do texto: T4166751
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
uiliam santana
Salvador - Bahia - Brasil, 27 anos
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uiliam santana



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