Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

ARRIVEDERCI, VANESSA!

- E agora? Como é que você volta? Como é que vai fazer para ser o que era? Onde é que você estava com a cabeça? Que tipo de atitude é essa?

E o seu cérebro ficava gritando essas mesmas perguntas enquanto ele tentava achar uma solução. Até entendia que deveria ter sido um choque para o seu cérebro se dar conta de que, de uma hora para outra, os pensamentos daquele energúmeno que ele comandava, estavam exatamente como os de Vanessa (aquela, da outra crônica...). Ele estava se transformando na Vanessa de barba. Na versão homem do estereótipo da velha rabugenta (putz!?!!). Vendo em tudo, algo negativo. Vendo em tudo, a nuvem negra, antes propriedade exclusiva dela! Da Vanessa! Que não era capaz de encontrar o sol ou sentir o seu calor nem se estivesse pelada no meio do deserto.

Ele chegou à conclusão de que tudo estava indo por água abaixo ou pelo buraco negro adentro, quando se ouviu dizendo:
- A vida é mesmo uma merda, hein...?
Ao que Vanessa respondeu:
- NÃO é não... (note que o NÃO de sempre ainda estava lá, firme!)

Neste momento, o mundo parou e os demais colegas pareciam ter sumido de seus postos. As mesas, cadeiras, luminárias, monitores, teclados, grãos de poeira... Estava tudo lá. Apenas as pessoas haviam sumido. E foi só por um momento. Mas foi um daqueles momentos que fazem qualquer ser que respira se dar conta de que é hora de se dar conta de que algumas coisas precisam mudar... E mudar radical e urgentemente! Tudo bem aceitar a rotina, mas tornar-se parte dela, jamais!

Quando o sangue voltou a fluir normalmente pela sua caixa de ferramentas e seus olhos conseguiram ver as pessoas novamente, o mundo pareceu um pouco mudado e, o que era pior, para pior. Portanto, a insistência do seu cérebro em achar uma saída rápida para aquele torpor era perfeitamente justificável. E ela parecia estar chegando (a solução). Era só uma questão de tempo. Era só uma questão de administrar a quantidade de café. E ela veio! Simplesmente apareceu! Simples até...

No final do expediente, como quem não quer nada, comentou sobre o tempo com o seu chefe e deixou bem claro que a partir do próximo dia, estaria trabalhando em outro departamento. Ele que preparasse a papelada. Naquele dia, saiu do escritório aliviado e encarou novamente o sol que tanto procurava por achar que o havia realmente perdido.
Rafael Zanette
Enviado por Rafael Zanette em 11/08/2005
Reeditado em 11/08/2005
Código do texto: T41935

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Rafael Zanette
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil
52 textos (3630 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 10:14)
Rafael Zanette