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AUTO-DESABAFO

Vivo criando falsetas para mim mesma. Mas qualquer dia eu me pego de jeito. Afinal que história é essa de me mostrar para mim mesma de um jeito que eu não sou?

Decidi que não aceito mais essa condição que eu me imponho de sempre me forçar a aceitar coisas ou situações que na verdade não me agradam. A quem estou querendo enganar! Eu? Ou a mim mesma?

É inconcebível esta situação: quando algum assunto não me agrada de imediato eu já devia estar careca de saber que não me agradará com o tempo. Mas para não me desagradar a mim mesma, fico tentando me iludir fazendo de conta que gosto daquilo que eu me propus a mim mesma me quase obrigando a buscar maiores informações sobre aquele assunto, sendo muito maçante e cansativo para mim e para eu mesma.

Eu por mim mesma já descartaria tal assunto; porque eu me conheço! Eu sei que não adiante insistir para mim mesma, pois eu sou bastante original e fiel comigo mesma; se não gosto, não gosto e pronto.

Mas não! No entanto eu fico ali com uma cara falsamente desinteressada diante de mim mesma querendo mostrar satisfação e interesse aonde não existe.

De vez em quando eu me deparo frente a frente comigo mesma. E quando isso acontece eu não deixo passar essa oportunidade e aproveito para colocar tudo em pratos limpos. Ai então nós decidimos que se não gostamos do assunto, e que se nós somente o mantemos no nosso centro de interesse para agradar terceiros, nós estamos violando a nós mesmas, e que estamos sendo desonestas conosco.

Concordamos então, que nós duas iremos descartar tais assuntos desinteressantes e que não mais ficaremos tentando ver beleza aonde certamente existe, mas não é para a nossa visão e ficaremos livres assim, com a bagagem aliviada de pesos desnecessários, para somente ir em busca daquilo que nos agrada genuinamente e que é da nossa natureza.

Para comemorar esta nossa decisão começaremos limpando nossa caixa de mensagens, excluindo toda mensagem recebida que eu sei que nunca mais vou ler, nem tampouco precisar manter a mensagem arquivada só porque alguém a mandou para mim mesma.

E para tanto, firmamos este acordo na presença de todos.
Tenhamos dito,
Eu, mim mesma e como testemunha
Cida Martini
Cida Martini
Enviado por Cida Martini em 15/08/2005
Código do texto: T42776

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Sobre a autora
Cida Martini
São Bernardo do Campo - São Paulo - Brasil, 51 anos
19 textos (1432 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 10:00)
Cida Martini