Estamos acordando e um filho seu não deve fugir a luta



O governo, ou melhor , “os governantes”, o estado político e econômico, continua fingindo não ter entendido o clamor e a mensagem do movimento popular, do brasileiro médio, em busca de uma dignidade politica, econômica e social. Os vinte centavos, ou outros valores em outras áreas geográficas deste enorme Brasil, foi mera gota d’agua, foi mero motivo necessário, mas não único, nunca SOLITÁRIO, para soltar a mágoa e a revolta com o estado de direito, que parece mera falácia, que parece mera formatação para defender e dar sustentação a tudo de triste e revoltante que acontece no mundo polÍtico, econômico e social, em especial quando se intercalam o político, o econômico e o religioso.
 
Parece-me que virou coisa comum ser corrupto, corruptível ou corruptor neste Brasil. Uma mulher é formalmente presa por roubar um shampoo, e milhões são desviados ou maquiados e nada acontece. A lei parece realmente sustentar uma das minhas crenças, a de que o arcabouço legal existe tão somente para dar sustentação ao estado e aos que se locupletam com o estado. A LEI parece existir para dar sustentação aos interesses e “necessidades” políticas e econômicas. O que me faz pensar assim? É que sempre existem brechas legais para os poderosos, mas quase nunca existem para o povão (não é que deva ter brecha para o povão, mas é que não deve existir brecha para ninguem). Em separado (o político, o econômico e o religioso), a dor social da percepção do descaso e dos interesses, parecem ser menores. O politico isolado do econômico parece mais justo, a economia, em separado do poder político também, a religião, não obstante eu não ter nenhuma afinidade ou simpatia com nenhuma delas, parece que agindo apenas no plano místico são mais justas, agora quando se misturam, e no fundo parece que não existe vida fora desta miscigenação, do politico, do econômico e do religioso que quando envolvidos parecem se apodrecerem mutuamente e permitirem quase tudo, um em nome do outro, um dando suporte e ajudando mutuamente o outro, e o legal, o tão defendido estado de direito, parece cego, amordaçado e mudo, não simplesmente pela justiça social, mas pelos interesses de quem em última instância produz as leis que o legal deve manter.
 
Sei que não sou ninguém, sou quase um nada, um quase invisível e diluído ser, mas vou tentar apenas lembrar o que talvez possa ser a voz ainda amordaçada desta população.  
 
TRANSPORTE PÚBLICO E MOBILIDADE: O preço é alto para um serviço de péssima qualidade, ônibus muitas vezes sujos e maltratados, quantas vezes baratas passeiam pelos ônibus. Ônibus superlotados e sem cumprirem horários. Alguns motoristas que deveriam estar presos, tamanha a grosseria e a estupides como dirigem e transportam vidas pelo nosso Brasil, continuam pondo em risco nossas vidas. As concessionárias deste serviço parecem imunes a qualquer ação mais forte do estado. Bastaria que um único fiscal viajasse pelo Rio, e creio que vale para todo o país, e perceberia o descaso com que são tratados os passageiros, alguns motoristas escolhem o caminho, escolhem os pontos em que vão parar ou não, dirigem de forma estúpida, expondo não somente os passageiros mas o resto da população, isto também é valido para muitas vans. Ônibus seriam retirados de circulação e motoristas seriam inabilitados para o serviço. A polícia multa carros que avançam sinal, e eu entendo que devem sim multar os carros, mas parecem fazer vistas grossas ao caos na direção de alguns ônibus e vans, fora do trajeto, fora das faixas, avançando sinal, direção perigosa e etc.
 
SAÚDE: Poucos hospitais, poucos leitos, médicos mal pagos e desmotivados, alguns médicos que não deveriam estar no serviço público, hospitais sem infraestrutura suficiente e digna, sem equipamentos e sem medicação, enfermagem mais mal paga ainda. Hospitais públicos possuem excelentes médicos, mas somente alguns médicos não fazem por si só um serviço de saúde pleno. Plano de saúde virou sinônimo de descaso da medicina. Os planos cada vez mais restringem os benefícios, marcar um consulta pode levar a meses de antecedência, alguns exames o mesmo. O descaso corre solto na área médica, mas é claro que os políticos e governantes ou donos do poder econômico não se utilizam de hospitais públicos ou de planos de saúde da média brasileira, e olha que não estou nem falando dos planos mais populares.
 
EDUCAÇÂO PÚBLICA: Mais uma vez o descaso é grande. Brilhantes professores existem na rede pública, mas a estrutura como um todo é precária. Salários baixos, alguma desmotivação, alguns professores que passam no concurso sem nenhum preparo ou conhecimento, retirada do poder dos professores, escolas sem condições, metodologia duvidosa, interesses maiores em atingir metas do que em realmente educar, instruir e preparar esta juventude.  Tenho a nítida impressão de que existe algum interesse não formal em desvalorizar o ensino público para valorizar o ensino privado, e isto vale para todos os níveis, da educação básica até a educação de nível superior.
 
SEGURANÇA PÚBLICA: policiais muito mal pagos, alguns despreparados para o exercício da nobre tarefa de garantir uma sociedade com segurança. Faltam homens, falta vontade politica, falta coragem do governo em limpar a sociedade dos meliantes, como também uma decisão de mudar interna. Vivemos aterrorizados.
 
OBRAS e SANEAMENTO: O que parece que percebemos é um total descontrole por interesses desconhecidos. Valores a maior, obras mal feitas, terceirizações mal feitas, e recálculos de sobrevalorização das obras. Licitações acontecem e fica sempre alguma impressão de que existem interesses por traz, falta total transparência.
 
POLITICOS E PARTIDOS: Passa a sensação sincera de que trabalham com o sentido de que sendo o estado estão acima do bem e do mal, estão acima dos interesses do povo, que estando no poder politico de nosso país, estado ou município, podem fazer a ditadura do poder político maquiado pela democracia do voto, e decidirem a sombra de seus interesses, partidários, políticos e econômicos o que quiserem, e parece caber ao povo simplesmente aceitar, pagar sua taxas e impostos e cumprir com o decidido e definido por eles. Aqui reside talvez a mais fácil e a mais difícil transformação, bastaria uma mudança séria na forma de fazer política, com total transparência e idoneidade, que o povo logo reagiria a um novo alvorecer na crença politica.
 
COPA DO MUNDO: Nos vendemos a FIFA, e parece que desviamos dinheiros em estádios elefantes brancos e supervalorizados, com terceirizações que retirarão o povo destes estádios. Estádios bonitos, não dão suporte social a necessidade do povo, ainda mais quando estes estádios serão entregues a terceiros que faturarão alto, e com certeza não repassarão aos funcionários, que ainda para piorar deverão ser “quarterizados”, com salários insalubres.
 
CONCESSIONÁRIAS DE ENERGIA ELÉTRICA E TEEFÔNIA: Parece que vivem a margem da lei. Parece fazerem o que querem, mandam e desmandam, cobram o que desejam, prestam um serviço péssimo, e inundam a justiça com queixas, e nada é feito. Não somente aqui, mas no todo, as agências reguladoras parecem máquinas de maquiar os problemas, e cabides de empregos, e a justiça se omite a somente julgar caso a caso.
 
Poderia ficar falando dos aeroportos, das empresas aéreas, dos portos, das empresas químicas e farmacêuticas, mas talvez nunca chegasse ao fim...
 
Caros representantes do poder político, este movimento, ainda muito acanhado pelo tamanho da população brasileira, fala sobre um pouco de tudo que comentei e muito mais.
 
 
Entendo, como muitos outros, que se o poder politico (seus representantes e sua família), em todas as esferas tivessem a obrigação de utilizar os serviços públicos ou suas concessões, como escolas públicas, hospitais públicos, transporte público, segurança pública e etc., tudo mudaria.


OBS: É uma brincadeira que o estado confunda a população do movimento, com marginais e meliantes que aproveitam o momento. É lamentável forçar a sofrida polícia a prender e agir de forma inconsequente contra um movimento justo, quando deveria sim prender os marginais, não somente no evento, mas no dia a dia.
 

Arlindo Tavares
Enviado por Arlindo Tavares em 23/06/2013
Reeditado em 23/06/2013
Código do texto: T4355123
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