A tragédia do menino boliviano

Ao saber da tragédia do menino boliviano morto por marginais que estavam assaltando sua família, pensei nesses defensores dos direitos humanos que tendem a vitimizar os bandidos.Eles sempre têm um discurso pronto, no qual apontam o bandido como um coitado, que nunca teve chances na vida. Admitamos que seja esse o caso dos que assaltaram a família boliviana que veio para o Brasil em busca de uma vida melhor e trabalhava quatorze horas por dia numa confecção de tecidos. Isso justifica o que eles fizeram? O fato deles terem passado fome, crescido em lares desajustados e em ambientes que não os permitiram se realizar como seres humanos os isenta da responsabilidade pelo crime que cometeram? Por acaso, qualquer dificuldade que eles tenham enfrentado torna o crime deles menos monstruoso? E as pessoas atingidas por eles? Elas mereciam pagar pelas injustiças que os bandidos sofreram em seu passado?

A família do menino não é uma família de privilegiados, mas de gente simples, que trabalha duramente para sobreviver e que queria dar uma vida melhor a seu filho. Esperavam consegui-lo pelo trabalho duro e viram a vida cheia de promessas do seu filho de apenas cinco anos, que chorava pedindo para não morrer, ser brutalmente interrompida porque um dos assaltantes não suportou ouvir o menino chorando.

Assim como a família do menino boliviano, muita gente vítima dos bandidos é trabalhadora, luta para pagar suas contas e quer viver honestamente. É correto que os bandidos as matem porque, no passado, foram excluidos por um sistema social que privilegia uns em detrimento de outros?

Ninguém nega que o sistema social brasileiro é injusto e que muitas pessoas estão sendo impedidas de viver dignamente como seres humanos, mas nada justifica que essas vítimas se vinguem de gente que não é responsável pelo que eles vivem e viveram.