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CRESCENDO

Hoje, senti-me mulher pela primeira vez. Mulher no sentido adulto da palavra. É verdade, não sou mais a menininha da mamãe, muito embora ainda subsista em mim a vontade de sê-lo e minha mãe acredite que eu o seja.

Ocorre que hoje fui ao enterro de um senhor querido, meu primeiro cliente. Recém-chegada à empresa onde hoje trabalho, fui procurada por ele para fazer uma contestação para o qual ele fora citado. Lembro-me de sua voz rouca dizendo: Minha advogada é você, a doutora só vai assinar (referindo-se à minha chefe, já que, como estagiária ainda não podia assinar sozinha a petição).

Foi ele quem primeiro confiou na minha capacidade. Foi ele quem me fez sentir ser “grande” pela primeira vez. Ir ao seu sepultamento causou em mim a sensação de potência. Prestar às ultimas homenagens àquele senhor significou fazer algo que não pertencia ao mundo de gente pequena. Gente pequena não precisa encarar a morte de frente. Gente grande protege gente pequena, tentando evitar o encontro da pequenez com o sofrimento de ser grande.

Na verdade, aquele senhor representou em minha vida dois marcos. Principiou duas etapas de crescimento, uma no campo profissional, outra no campo pessoal. Ele já seria inesquecível sem nada disso ter feito, mas tornou-se mais que isso. Tornou-se decididamente importante e eternamente vivo em minha existência.


Manoela Franco
21.OUT.MMIV


Manoela Franco
Enviado por Manoela Franco em 15/02/2005
Reeditado em 09/05/2012
Código do texto: T4478

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Sobre a autora
Manoela Franco
Feira de Santana - Bahia - Brasil, 34 anos
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Manoela Franco