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A PEDAGOGIA DO DESPERDÍCIO ("Tudo bem... Ao seu dispor se for por amor às causas perdidas...")

           O que leva você a pensar em bravatas condenatória quando visualiza a imagem de um cavalo puro sangue puxando uma carroça? Como diz a canção do grupo musical - Engenheiros do Havaí; Dom Quixote. Eu penso, auxiliado pela expressão da bela letra da canção, que o sistema educacional é o belo paraíso do desperdício. É o mesmo que pensar em desvalorização quando um professor doutor em artes visuais, lecionando religião no ensino fundamental para um alunado que não conhece a importância da matéria e nem do papel do professor e, pior de tudo, não quer conhecê-lo; despreza-o como faz comigo. Em outra ocasião, o ex-secretário de educação municipal, que por sinal foi bem sucedido em sua gestão, também pós-graduado em docência, lotado aqui numa escola de ensino fundamental, sem ser compreendido pela sala de aula comprometeu o aproveitamento devido, os alunos o negligenciaram. Em outra feita, a Secretaria de Educação remunera o professor em licença para fazer um mestrado e depois trancafia e mantem-no em sala de aula de ensino fundamental enquanto deveriam estar orientando aos colegas de menor formação acadêmica. Mas, nessa política atual, os maiores graduados na academia não podem ser líder dos menores. Enfim, doutores, mestres estão nas salas de aula, engessados por leis e normas de uma cúpula de políticos  que atrofia os que a academia recomenda para o sucesso.
           O que um pastor evangélico com boa formação em teologia faz dando aulas de filosofia numa escola de estado laico?
           Outras incongruência: o MEC dá os livros aos alunos e eles não levam para a sala de aula e quando lhes emprestamos outro volume, para não deixá-los sem fazer a atividade, eles armazenam mais um em sua casa, ainda acham que o colega vai emprestar o dele! "Tudo bem... Ao seu dispor se for por amor às causas perdidas..."
           Olhe para os que nunca precisaram e jamais precisarão da escolaridade para ser alguém e compare com os que estão abarrotando as salas de aula para fazer futuro! É isso que a música está me dizendo, com "o amor às causas perdidas": A aprovação automática para encher o país de diplomados semianalfabetos! Sou professor, mas "meu nome é otário", ensinando para quem não quer aprender e forçando os alunos a uma obediência desvirtuada de qualidade quando os coloco sentado para me escutar, enquanto querem "manipular canhões".
            Sem falar que os pais bem instruídos ou não; bem intencionados ou não metem medo no grupo gestor da unidade escolar. Todos nós trabalhamos aqui com o terror do que podem falar de nós. Sem autonomia de atuação, na escola, fazemos o que eles ditam, sem que muitos deles, nem mesmo tenha frequentado uma faculdade, e a maioria de suas exigências são destituídas de pedagogia alguma, somente egoístas. E o professor tem e terá sempre que ceder nas demandas dos alunos e quando tenta se impor é levado à coordenadora cercado dos curiosos sorridentes, aqueles do mesmo espirito dos que enchiam as arenas da velha Roma para ver os gladiadores lutarem até morrer. "Por amor às causas perdidas", assim com eles, o professor estará na peleja para o lazer da sociedade, desapoiado mesmo que esteja com a razão. Enquanto deveria ser respeitado e reverenciado mesmo estando errado, considerando a  boa intenção que rege o seu profissionalismo e a importância que devia ter. Sádicos, leiam as atas de reunião da escola sem chorar, depois me digam que não lhes avisei que "as nuvem não eram de algodão".
Kllawdessy Ferreira
Enviado por Kllawdessy Ferreira em 16/04/2014
Reeditado em 26/07/2017
Código do texto: T4771635
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Kllawdessy Ferreira
Goiânia - Goiás - Brasil, 58 anos
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