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CRIANDO COBRA ("Manda quem pode e obedece quem tem juízo")

           O professor não se reconhece em sua própria classe! Vejam, é normal que o professor chegue à sala para a sua primeira aula e se sente à sua mesa para fazer a chamada ou fazer alguns apontamentos iniciais. Mas, desta vez, não tinha cadeira para o professor, não estava no lugar. Tomei posse de uma qualquer, que estava fora das filas, para assentar-me, e qual não foi a minha decepcionante surpresa, quando uma aluna, que apareceu do nada, daquelas que não cede o banco para idoso algum, alegando que eles já se sentaram muito, manifestou-se arrogantemente solicitando a cadeira, dizendo ser dela. Então eu lhe disse que pegasse uma outra, pois tinham muitas sobrando ali, peguei aquela por que estava mais próximo e fora da ordem, porém, ela queria exatamente aquela. Por último, permiti que podia retomá-la,  pois dou minha aula em pé. E ela não satisfeita com minha humildade me ordenou que devolvesse a cadeira no mesmo lugar que a achei. Mas, como? A cadeira estava bloqueando o corredor entre as duas fileira finais!
           À tarde, para completar aquele meu dia de trabalho "promissor", quarta feira, véspera do primeiro jogo do Brasil na copa 2014, à outra escola cheguei cedo, como sempre, para fazer alguns preparativos para começar bem o turno vespertino. Quando entra, de supetão, a gestora na sala dos professores, bem no início de tudo, e começa uma reunião extraordinária: — vão fechar duas salas! – esbofou-se e, complementando o comunicado da secretaria, continua –  por falta de aluno. Eu não entendi, lembrei-me da notícia que li no portal de notícias - G1: "De acordo com a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2012 e divulgada em setembro de 2013, a taxa de analfabetismo de pessoas de 15 anos ou mais foi estimada em 8,7%, o que corresponde a 13,2 milhões de analfabetos no país." E ainda, estão querendo fechar sala de aula?! E, por que não dividir o lucro das superlotadas com as unidades de pouco alunos?{http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/01/brasil-e-o-8-pais-com-mais-analfabetos-adultos-diz-unesco.html} (acessado em 09/08/2014). Perguntar não ofende: O dinheiro poupado com o fechamento das salas, aqui em nosso caso, com menos de 15 alunos vai ser investido para melhorar os incentivos ao professor?
           Contemplando a tristeza dos professores presentes, com o medo de perder as turmas e ter prejuízo no salário, entristeci-me também. Então a reunião termina com estas palavras: "Pois é, quando eu lhes peço aulas atrativas e com qualidade, vocês me acham chata".
           A culpa é do professor: Se o aluno não aprende, a culpa é do professor; se os pais não vão às reuniões da escola é porque os professores falam mal de seus filhos; se não têm bastantes eventos festivos na unidade escolar é porque os professores não colaboram;  se há brigas na escola, e alunos se machucam, é culpa dos professores que não separaram; se 20% da classe tem nota abaixo da média, não se questiona se aluno está interessado em estudar ou não, é culpa do professor; Se o professor adoecer e precisa faltar às suas aulas, quando voltar, será acusado de transtornador da escola toda, os seus alunos, sem professor na sala, bagunçaram nos corredores o período todo; se o aluno se evade, é contado como índice de reprovação para também responsabilizar o professor; enfim, se a escola fracassa a culpa é do professor.  “O professor é a expressão da escola na qual ele está inserido”. (Thelma Torrecilha). Portanto, ainda, é o professor que ganha menos, ganha somente pelas aulinhas que ministra sem gratificação alguma. É assim que a sociedade nos vê e nos recompensa! As ameaças nos motivam a atender os seus apelos, também, esdrúxulos. Para tanto, voga o lugar comum: "Manda quem pode e obedece quem tem juízo": A Máxima da Educação. Do outro lado, o coordenador pedagógico ainda insiste em perguntar por que o professor tem medo do aluno!!!
Kllawdessy Ferreira
Enviado por Kllawdessy Ferreira em 12/06/2014
Reeditado em 16/08/2014
Código do texto: T4842128
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Kllawdessy Ferreira
Goiânia - Goiás - Brasil, 58 anos
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