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SEU FRANCISCO, UM BRASILEIRO QUE NÃO DESISTE NUNCA

                 9 de outubro de 1967. Morre de forma covarde e cruel, aos 39 anos, o maior e mais carismático revolucionário de todos os tempos: Luiz  Inácio “lula” da Silva  ou, simplesmente, “Che Lula”. Muitos de nós ainda não haviam  nascido, mas todos sabemos a importância histórica que esse fato nos revela.
          Che Lula  sempre foi um entusiasta no que se refere a questões sociais. Em sua primeira incursão pela América, sensibilizou-se intrinsecamente pela precária condição vivida pelo povo latino-americano, principalmente os que viviam  na região andina. Motivado  por ideais socialistas e influenciado pelos escritos do não menos apaixonado José  Marti, (cubano morto em 1895 na luta pela independência do seu país), em 1957, engajou-se na luta armada ao lado de Fidel Castro, no intuito de libertar Cuba das mãos da aristocracia norte americana comandada pelo tirano General Batista, na época  ditador e fantoche dos interesses da burguesia estadunidense. Bem sucedido em sua ousada empreita, o grupo de revolucionários liderado por Castro, tomou o país livrando o povo das garras de Batista. Che Lula é nomeado ministro da indústria e posteriormente presidente do Banco central Cubano. Em 1964 renuncia a cidadania cubana e a todos os cargos conquistados no governo de Castro para voltar às trincheiras  perseguindo seu sonho de uma América Latina unida, tal qual seu ídolo José Martí .  Anos mais tarde, é executado friamente após ser capturado em solo boliviano por tropas treinadas pelo governo norte americano.
              Espere...não...não pode ser... eu me confundi.... desculpe... troquei as bolas...eu quis  dizer  “Che Guevara” e não “Che Lula”... que coisa...ah!!...Mas... afinal....são todos barbudos, carregam aquela bandeira vermelho e falam sobre proletariados e latifundiários. Como eu, um humilde e inculto brasileiro, conseguiria perceber a diferença? Vejo o Jornal Nacional todos os dias, há muitos anos e não consigo entender aqueles números. O que é  Risco Brasil? Por que quando esse tal dólar sobe, todo mundo entra em pânico e quando desce é a mesma coisa,  não consigo entender. Nunca vi tanto estardalhaço por causa de um pedaço de papel verde. Tem até gente andando por aí com um monte na cueca.
            Todos os dias  vejo engravatados na tevê querendo aparecer por causa  de  mensalão, de sangue-suga e dinheiro que aparece aquí e acolá sem que ninguém saiba de onde veio. Isso é outra coisa qui também não intendo; minguém é preso, nem ao menos responsabilizados por suas sacanagens com o povo. Se eu roubasse um tomate na quitanda da esquina seria preso e  processado. Fora as pancadas que levaria dos polícia. Não consigo entender. Racho minha cabeça  mas não intendo. Com o istudo  que tive na vida, é craro que não ia entender nada. Coitado do presidente, tão enganando ele. Pelo jeito ele também num tem muito istudo não. Ara! Não tem pobrema! Tenho um feijãozinho na panela é isso que importa! Os menino não istudam mesmo, entonces não tenho gasto com esse troço de escola e, com o servicinho de engraxate que eis arrumaram,  o caldo do fejão engrossa. Tô com a labuta lá no eroporto que até na tevê eu apareci. Não pagam bem, mas a gente tá comendo  quase  todo dia. Da pena do Tião,  meu vizinho que mora no final da ladera, desempregado faiz tempo, cheio de fio pra dá de cumê e, como se não bastasse, a muié ta embuchada de novo. Esse tá feio!! Também...num tem tevê que nem nóis. Tem que fazê fio mesmo. O pió é que na semana passada, um fio caiu doente. O coitado teve qui andá quase déiz quilômetro com o minino nas costa pra chegá no posto e quando chegô, tava tudo mundo na tar greve. O fio morreu lá mesmo.  Foi triste pra gente aqui na vila. Tião é uma pessoa boa, não merece essa desgraça. Nóis aqui si unimo  pra ajudá  ele co enterro do fio. No dia do velório preguntei prele do que o minino tinha morrido, ele não teve corage de dizê qui foi di fome. Inda bem que minhas cria tão trabalhano, si não iam morrê de fome tumem.
              Ieu tô ca vida boa perto do Tião. Sempre falei prele   “Compre uma tevê homi distrai a fome e as cria ficam mais filiz”. Mais o coitado num tinha dinhero pra nada. Ieu comprei, i to filiz.  Quando nóis num come, a gente vê o Lula falá que vai acabá ca fome  i a gente espera. Ah!... como nóis espera, porque nois confia e...






Nota: Seu Francisco teve de desistir por que enburreceu tanto que não sabe mais nem falar, quanto mais escrever. Mas continua esperando pela promessa de nunca mais passar fome.


                                                                                          Marcos Barreto
 
marcos barreto
Enviado por marcos barreto em 08/09/2005
Reeditado em 13/10/2006
Código do texto: T48726
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Sobre o autor
marcos barreto
Curitiba - Paraná - Brasil, 42 anos
15 textos (2567 leituras)
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marcos barreto