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Vai fazer média bem assim...

     Meu pai quando arrumava um tempinho, depois de ter cumprido suas dez horas de trabalho diário, na fábrica de tecidos onde era operáriogostava de praticar suas duas paixões: O futebol amador e a música.Era ponta direita do Cedro Esporte Clube e primeiro clarinetista da Euterpe Sta Cecília, a Banda de música da cidade de Cedro, interior de Minas.Tinha como características que realçavam sua figura, uma leitura impecavel das partituras e um belo sopro, na música e um chute fortíssimo,tanto de direita como de esquerda, no time de futebol.
     Nas nossas férias escolares, passadas invariavelmente no Cedro, na casa de Vó Fela,eramos chamados de "ös menino do Constantino"e sempre aparecia um conhecido pra contar as proezas dele nos campos de várzea, coisas que pela nossa pouca idade, sabiam que não tinhamos presenciado.Era cada  "causo" que beirava os limites da lenda ou da memtira.
     Um dos mais engraçados que me lembro é o da partida decisiva entre o Time do Cedro E.C.e do São Vicente, time da cidade vizinha do mesmo nome, que nutria a maior rivalidade em tudo, com a cidade do Cedro.
     Talvez pelo fato das moças de São Vicente darem preferencia aos rapazes do Cedro para fins de namoro.Sempre saia o maior "pau" no fim do jogo entre estes dois rivais históricos.Meu pai neste causo foi um mero coadjuvante.Foi escalado na ponta de lança, fazendo dupla com um tal Vavá que era conhecido na cidade por namorar a mais linda mulata local,que conheceu num baile, filha justamente do Presidente do Clube. Pra encurtar a história. faltavam cinco minutos para terminr a partida, com o empate justo de 1x1, quando o Juiz marca uma penalidade máxima contra o time da casa.Tumulto geral invasão de campo pela torcida, "Juiz ladrão"Não vai bater...Um mulato puxa uma faca o rastilho queimando em direção ao barril de pólvora.Entra em campo o Presidente do São Vicente e segura a bola."Calma gente..."
Vavá cochicha pra meu pai: Vou resolver na diplomacia!E parte em direção ao presidente do clube, um Negão de 1 metro e noventa por 1 e meio de tronco, que conhecia dos namoros no portão com a tal mulata filha do homem.-"Seu Presidente: Deixa que eu cobro a falta. Chuto pra fora e continua empatado...
     "O Presidente olha bem pra cara  do pretendente a genro, pega a bola e coloca na marca do Penalty.-"Seu" Vavá pode bater, porque ele sabe o que vai fazer!
     Um cara dá um soco em Vavá que se virava e acerta o nariz do Presidente, que repete sem perder a linha: -"Seu" Vavá vai bater porque ele sabe o que vai fazer.."
     Vavá ajeita a bola.Suspense no campo de várzea.Vavá toma distancia, parte pra bola e chuta forte.
     O goleiro que tinha sido avisado, nem se meche. É GOOOLLL! F. da P. Viado mata... Esfola1 E Vavá com as mãos na cabeça, olhar suplicante: -"Eu errei, gente. Eu juro que ia chutar pra fora, Eu errei... Eu errei!


 
Aecio Flávio
Enviado por Aecio Flávio em 08/09/2005
Reeditado em 10/09/2005
Código do texto: T48767
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Sobre o autor
Aecio Flávio
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 75 anos
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Aecio Flávio