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Irreverência

          Desde 1971 quando cheguei ao Rio de Janeiro,uma das coisas que me chamou a atenção foi a irreverência do carioca com tudo, dos fatos mais simples ás coisas mais sérias.Por exemplo; No meio musical usa-se a expressão "ÄTACAR", no sentido de dar início, começar.
          Exemplo: A que horas o Caetano "ataca" no Canecão? ou, A que horas voce '"ätaca" na Boite?
       Muito bem; Numa das vezes que o Papa esteve no Brasil e deu uma benção no aterro do flamengo para 2.000 pessoas, um colega músico estava começando no negócio de aluguel de equipamentos de som (sonorozação)não tinha ainda um a grande infra-estrutura,mas tinha muito boas relações.E por este motivo foi o escolhido para fazer a sonorização da benção de sua santidade.
          Como tambem não era muito organizado, Chico(o tal colega) acabou alugando o mesmo equipamento(O único da Empresa), para um show no mesmo dia e horário, de um artista novo que foi pedir-lhe uma força.
          Um de seus carregadores percebeu o furo e advertiu:-"Ô Chico, voce não alugou este equipamento pro "lance" do Papa, cara? E o Chico,já pensando na confusão em que ia se meter e, ao mesmo tempo, numa saída, conjugando os horários: -"Peraí! Calma.não tem grilo... A que horas o Papa ätaca, mesmo"?

Outra.
          No início dos anos 70 começou a aparecer pixada em tudo que era espaço em branco na zona sul do Rio, uma frase estranhíssima na época:"Celacanto provoca maremoto"
          As pessoas começaram a ficar griladas com a insistência que a frase aparecia,todo dia em um novo tapume ou muro da cidade.Já tinha chegado á zona norte.Seria u'a mensagem em código? Algum recado de Sindicato, ou Partido político? . isso deu matéria nos jornais, discussão em rodas de boêmios na madrugada, todos se perguntando o que seria aquilo,quem seria Celacanto?
          Uma tarde qualquer, eu saindo da TV Globo onde então trabalhava, passando pelo Leblon ao olhar distraidamente pela janela direita do carro, reparei que alí agora tinha um tapume novo que até o dia anterior,não estava lá pois era meu caminho diário e eu teria notado.
          E lá já estava ela,a frase, pixada em spray novinho:"Celacanto provoca maremoto".Foi quando atentei para um detalhe que revelou a tal irreverência do carioca:
          Alguem, que já devia estar de saco cheio daquele mistério,mas demonstrando o maior bom humor, tinha escrito a carvão ou Pilot,logo embaixo da frase que grilava a quase um ano, uma população inteira:    "Vai fundo Celaca!"
          Perceberam a intimidade? de tanto aparecer, o misterioso CELACANTO tinha virado simplesmente "Celaca" e recebia a maior "força" do carioca anônimo.
   
Aecio Flávio
Enviado por Aecio Flávio em 22/09/2005
Reeditado em 22/09/2005
Código do texto: T52623
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Sobre o autor
Aecio Flávio
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 75 anos
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Aecio Flávio