RENASCER - RECOMEÇAR

Nossa vida é mesmo muito engraçada. Somos educados e criados, desde o nascimento, para sermos vencedores.

Não nos ensinam os caminhos, não nos contam onde estarão os obstáculos, mas nos indicam, com muita precisão, onde devemos chegar. E nos cobram muito isso, e como cobram!

Desde bebês somos obrigados a sorrir a um agrado, mesmo que sentindo fortes cólicas ou com as gengivas em brasa, antecedendo eclosão dentária.

Somos seres fortes , vamos crescendo, e como crianças, independente da solidão pela ausência dos pais, que passam o dia trabalhando, somos obrigados a nos mostrar fortes, alegres e sorridentes.

Aí vem a adolescência, onde nos vingamos de tudo e de todos.

Ah, a adolescencia! Melhor fase da nossa vida, pena que poucos a entendem...

Nos transformamos em indíviduos unicos, com vontade própria, passamos a enfrentar tudo com a coragem de um samurai e a força de um furacão.

Nessa fase, criamos uma verdadeira revolução, nos trajamos contrariamente a tudo o que aprendemos ou convivemos, procuramos amigos muito diferentes de nós mesmos, mudamos o palavreado e os gostos, e aos poucos, vamos fazendo a revolução do contraste. Criamos nosso próprio mundo, muitas vezes trancados em nosso quarto, que agora passa a ser nosso quartel general, inatingível pelo inimigo, que não está fora,mas dentro da própria casa.

Estudar pra que? Queremos mais é sair na balada, ficar? é coisa do passado, hoje só catamos....

Conversar em casa? Só o mínimo indispensável para conseguir uma verbinha pra se comprar a liberdade.

Nosso melhor amigo, é o bom e velho computador.Passamos horas com ele, as vezes atravessamos a madrugada, convivendo no mundo ideal, aquele que nao tem problemas, só gente bonita e atraente, onde nos dão atenção e carinho, o mundo virtual, onde nunca estamos sózinhos.

Com muita facilidade aprendemos a fumar e começar a beber, a sentir o barato desses falsos prazeres.

Aos poucos e depois de muita batalha e enfrentamentos, vamos saindo dessa fase maravilhosa e entrando na mocidade, fazendo vestibular, frequentando uma faculdade.Vamos morar em outra cidade , cuidar de nossas próprias vidas, enfrentar nossos medos e o desconhecido. Parar de ser tratado como criança e começar a encarar a vida de adulto.

Já cuidamos de nossas próprias contas bancárias, temos nosso cartão de crédito, muitos um carro do ano e uma bela namorada.

Temos que nos mostrar vencedores, aprendemos isso a vida toda, devemos estudar muito, obter o tão sonhado canudo e cair no mercado de trabalho , como um profissional de êxito, um profissional de mercado.Devemos ser disputados como gado em leilão.

Começamos a ganhar dinheiro, um novo cenário se descortina, podemos comprar a felicidade,não dar mais satisfação, ser dono do destino.

Enfrentamos diversas cobranças, casar ou trocar de namorada.

Casamos, festa de gente grande, emoção à flor da pele, agora novas responsabilidades... Não aprendemos da vida as dificuldades, só aprendemos a sermos vencedores.

Começam os problemas, falta de grana, falta de assunto ou de vontade de chegar em casa. Nos fixamos nos amigos, afinal somos vencedores e nao temos problemas. O Tempo vai passando, casamento se acabando, filhos? Não lembramos, afinal não temos tempo, trabalhamos pra dar a eles uma vida boa e muita segurança assim como aprendemos.

Percorrendo o mesmo circulo vicioso da vida, nem percebemos e entramos triunfalmente na melhor idade, donos de uma experiencia ímpar, já não vemos nossos filhos com frequência, mas também quem se importa?

Eles estão correndo atras de serem vencedores, como lhes ensinamos...

O tempo vai passando, a solidão tomando conta e não nos damos conta, de que estamos sozinhos.

Pensamos, pensamos e sorrimos, sozinhos, mas vencedores!

Triste conclusão!

Um filme passa na mente, com um olhar triste de uma certeza inconteste, nos perguntamos intimamente, porque nao fizemos tudo diferente?

Que pena, agora é tarde, o tempo é cruel e não nos dá chance de mudar o que fizemos.

luiz fernando costa daher
Enviado por luiz fernando costa daher em 25/09/2005
Reeditado em 16/12/2010
Código do texto: T53597